quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A dançarina (Almiro Andrade)

Este poema foi escrito por um grande amigo, de Campinas/SP, chamado Almiro Andrade. 
Uma sensibilidade incrível, foi escrito em 1996, quando eu ainda era uma jovem dançarina; hoje, na maturidade desta Arte, ainda me identifico com suas palavas.
Minha alma e vida de dançarina em palavras, pelo talentoso poeta! 
Preservei os negritos e a grafia original tal e qual me foi enviado.

Yasmine Amar - foto by Rai Reis

A dançarina  
(Almiro Andrade)

Qual a longevidade da vida
curta se lhe parece mortal
com traços definidos
limitou seu passado
e de volta ao presente
de presente
seu mundo caiu
As mãos soltas no espaço
em movimentos sutis
revelou traços de alegria
E a entendem assim
Não sabem porém
que apenas consolam
o que há dentro de si
No seu próprio ritmo
fez da dança a evolução
Se entregou como parte
e partistes sem nada dizer
Agora nada mais
Sem ti, sem ninguém
O compasso da música
na disputa se transformou
Qual a longevidade da vida
curta se lhe parece mortal
Entendeu o Inevitável 
Mudou o cenário
A platéia atenta
se contenta
contempla a emoção
Não viram a mudança
Perdem-se na fantasia
Suspiro
As mãos tocam o chão
O silêncio ecoa
Terminou?
Explode-se de novo na dança
e gira sorrindo
Vê a vitória surgindo
O Adversário reconhece
abençoa a decisão
O espetáculo se eterniza
Qual a longevidade da vida
agora se lembra
"Sou imortal"

Feminino Arquetípico I


Feminino Arquetípico I

          Hoje vou postar  um pouco do que é abordado nos cursos do "Feminino Arquetípico" que estou ministrando no nosso Núcleo Cultural.
          Trabalhar com o Feminino e ter um Núcleo voltado para este fim é um privilégio que requer muito estudo, confiança nas capacidades intuitivas, generosidade e responsabilidade.
           O curso que elaborei tem por objetivo resgate e contextualização através do estudo das origens da dança que é a mais repleta de arquétipos femininos: a Dança do Ventre. Ela é por si só um arquétipo, quer a pessoa que dance tenha essa consciência ou não. Mas o fenômeno da modernização da Dança do Ventre, tem aproximado muito mais essa manifestação do estereótipo do que do arquétipo. O que isso significa? Significa que, a cada dia, podemos ver mais e mais mulheres buscando inconscientemente um arquétipo mas chegando em locais que tratam desta modalidade de maneira que os símbolos, responsáveis pela propagação do arquétipo, estão sendo mais e mais descaracterizados e fundidos com outros elementos. A cada dia vemos mais e mais dançarinas executando os movimentos pela metade, de maneira acelerada e até, por que não dizer, desesperada, mecanicista e robótica. 
          Mas enfim, compreendermos os conceitos de símbolos, arquétipos e estereótipos, bem como conhecer as características do feminino na dança, podem contribuir  para mantermos nossa conexão com a essência da Dança, aquela que originalmente nos atraiu de alguma forma para a prática da modalidade.
Cristina Schafer

O cinto ou o lenço amarrado em torno dos quadris por cada mulher que pratica a Dança Oriental, nos lembra da dança de Ishtar e transforma a mulher de hoje em intérprete de uma cultura há muito tempo esquecida.“
Rosina-Fawzia Al - Rawi, Grandmother´s Secrets.


         Para compreendermos como somos levados inconscientemente,  pela Dança, precisamos voltar na História, em como tudo começou. 
          Qual a origem da dança com movimentos pélvicos?


           A origem da dança com movimentos pélvicos, parecidos com os movimentos da Dança do Ventre, tem origem anterior aos templos egípcios e é sumeriana. Rituais eram praticados por mulheres, sacerdotisas sumerianas, num período matriarcal, onde a mulher era reverenciada pela sua capacidade de gerar uma vida. O ápice desses rituais se deram na Antiguidade nas danças de culto a Inanna, também conhecida como Ishtar.
          Se a dança com movimentos pélvicos não surgiu no Antigo Egito, mas bem anteriormente, como é que a dança foi parar em domínios árabes? 
          Na verdade, foi um longo caminho desde o auge das conquistas do novo Império Assírio, de 1000 a.C a 600 a.C. até o Império Otomano apropriar-se da Dança e difundi-la da maneira como conhecemos hoje: sem nenhum contexto religioso. Ainda no período do Império Assírio, rituais egípcios foram assimilados pelos cultos sumerianos. O inverso, no entanto, não ocorreu, sendo que os rituais egípcios permaneceram intactos. Foi com a queda do Império Romano que o Império Otomano emergiu, perpetuando a dança não ritualística, nas mãos dos árabes.

          O Império Otomano foi uma grande potência muçulmana uma das únicas a desafiar o crescente poderio da Europa Ocidental entre os séculos XV e XIX.
         Os povos que faziam parte do Império Otomano excluíram a dança ritualística e intensificaram a dança profana, a dança comercial. A mulher passa de deusa a escrava, marginalizada, usou por muitas vezes a dança como forma de sobrevivência. O grande Império Otomano, “eliminou” as deusas e modificou os olhos do homem em relação às mulheres. A dança passou a ser explorada como objeto sexual masculino. 
Alguns países que compunham o Império Otomano como o Egito, a Síria, a Turquia e até mesmo a Grécia e Espanha, tomaram posse e usaram a dança como ferramenta política e sinônimo de poder através dos harens. Apesar da origem dos harens ainda ser obscura, foi durante o Império Otomano que os harens ganharam fama e poder e o mundo conheceu seus mistérios. 
Pais vendiam filhas, mulheres dançavam para conquistar xeiques,  xeiques mediam seu poder pelo tamanho e quantidade de mulheres em seus harens, mulheres dançavam em tabernas, ninguém mais lembrava da origem ritualística da dança...
Frederick Arthur Bridgman (1847 –1928) 


          Da proibição a dança ritualística nasce a Dança do Ventre e a exploração do que anos mais tarde chamaremos de Arte. 

          Pronto, agora você já sabe a origem sagrada, ritualística, que reverenciava a feminilidade, de um período matriarcal onde as mulheres dançavam para si mesmas, para beneficiar seu corpo e fortalecer sua alma. Este é o "arquétipo". O que é representado pela origem através dos símbolos (a linguagem da dança da maneira mais primitiva e intuitiva possível).
Gaston Casimir Saint Pierre

                   Já conhece também o que tornou-se a Dança, símbolo de poder, dinheiro, onde o feminino foi banido, a dança comercial onde um padrão é exigido, onde mulheres dançam e competem para agradar seus xeiques, como nos antigos haréns.

                     Agora você já pode escolher que dança você quer praticar.

              Não precisamos de um templo ou religião para nos conectarmos à essência, ao arquétipo. Porque o templo de que necessitamos simplesmente é o nosso próprio corpo, onde reside nosso religare, que pode ser chamado de psiqué ou alma. É nesse templo, através dos movimentos e da música adequada, que você pode acessar os conteúdos da alma libertando sua dança da aceitação alheia, dos padrões pré-fabricados por outros, construindo uma dança
rica de significados  e totalmente sua.

Quando você dança, a quem você pretende reverenciar ou agradar?
A uma pessoa especial...
A um público...
A suas colegas...
ou a si mesma?


         Se você respondeu a si mesma, e se essa afirmativa é realmente verdadeira e não ilusória, então você já percorreu metade do caminho. Sua dança simplesmente deixa de ser sua quando a preocupação é o outro.

          Dançar aos ritmos orientais requer um pensamento oriental . Mas se quisermos ir além do estereótipo dos haréns, temos que nos conectar com a Dança Ancestral. Quando a dança segue um padrão ocidental, toda sua magia, sua ancestralidade, sua filosofia, perdem-se no ar. nessa jornada rumo a uma Dança Criativa, uma Dança do Ventre Livre, precisamos dominar o essencial: a música e o movimento

         "O ritmo traduz a emoção corporal e movimento, já a melodia expressa sentimentos, dizendo diretamente respeito aos estados da alma, às paixões, ao coração."(ANGELIM)

          Este é um conceito musical. Enquanto não mudarmos nossa capacidade de ouvir, não teremos a capacidade de dançarmos a melodia em sua profundidade. Enquanto não estudarmos a música árabe como deve ser estudada, ficaremos patinando nessa dança vazia de arquétipos.
           A música árabe é a perfeita exaltação ao feminino. A Dança Árabe também trouxe muitos traços femininos até ser intensamente Influenciada pelo Ocidente. A música árabe apresenta uma característica única: riqueza melódica. Podem observar: Flautas, alaúdes, qanons extraem sons riquíssimos, notas detalhadas de expressão da alma. Mas o que nós vemos algumas dançarinas modernas fazer com toda essa riqueza?  Ignorar completamente. Simplesmente não sabem ouvir, ouvem apena uma coisa: o ritmo   


          Para conquistarmos uma liberdade deliciosa de expressividade criativa, precisamos dominar completamente os movimentos básicos da Dança para que possamos estar centradas neles, e não dispersas na periferia da dança.  E mais que isso, precisamos conectar esses movimentos corporais essenciais à melodia e ritmo da música.
            A Dança do Ventre não precisa ser inventada em termos de movimento. Tudo já existe. O que precisa ser resgatado é justamente a capacidade da dançarina tornar-se a música, como se o seu corpo fosse um instrumento musical, a representação visual do som.
               Então parece ser bem simples:  eu aprendo a ouvir a música, aprendo a executar
movimentos dentro dela e estamos resolvidas. Na verdade, esta é a chave de Alice pra sair da toca do coelho rumo ao misterioso País das Maravilhas. A chave abre uma porta mas  o que você vai vislumbrar por detrás dela é muito maior que isso. É todo um caminho a percorrer até “matar o Jaguadarte” e recuperar o reino da Rainha Branca. A chave, você já tem em mãos. O caminho é por sua conta. Como você vai colocar mais e mais sentimento, como você vai inspirar-se mais e mais a cada dia.

              Algumas músicas facilitam bastante este tipo de interpretação por serem construídas para representar a beleza da música árabe sem preocupar-se em enquadrar-se nos padrões ocidentais, mas ao mesmo tempo, com arranjos belíssimos para a dança. Dois grandes nomes que eu recomendo estudar: Omar Faruk e Hossam Ramzy
             Hossam Ramzy eu já citei anteriormente, sua música é elaborada para a dança, é rica, completa.  
          Omar Faruk, na minha opinião, é o músico do feminino. Sua música traz a calma e a tranquilidade do feminino, dosadas com elementos delicados percussivos. A música de Omar Faruk é com certeza uma chave para acessar os conteúdos femininos do inconsciente e eu aconselho você experimentar!
       Já imagens do feminino você encontra na dança de Soheir Zaki e Nagwa Fouad, especialmente. Lá tem conteúdo aos montes do feminino arquetípico! Divirta-se!
               
                












quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

"A Arte Sagrada de Iaset"

         
          Hoje não vou falar de técnica. Vou falar de um tema que é bem discriminado no meio "bellydance" que envolve misticismo e Mitologia. Vou falar de uma época onde não tínhamos o avanço técnico que temos hoje mas dançávamos com uma conexão e consciência de nosso papel na Dança, não como entretenimento ou como artista, mas nos considerávamos verdadeiras sacerdotisas e a Dança era profundamente um momento mágico a ser vivenciado dentro de nossos cotidianos banais.
          Muita coisa aconteceu desde que a Dança do Ventre começou a ser ensinada no Brasil até nossos dias. Muitas de nós, bailarinas, pudemos apreciar o início desse processo, muito envolto em mistérios, magia, sem uma didática pronta ,mas em processo de ebulição.  Com o passar do tempo, muita informação trazida diretamente do berço da Dança - o Egito - chegou até nós.  Com o you tube, todo mundo passou a estudar tudo ao mesmo tempo e a informação atingiu uma velocidade cada vez maior. DVD´s didáticos foram lançados em escala internacional chegando material de todo tipo a nossas mãos. Em meio a todo esse processo , sempre me pergunto sobre pessoas, palavras e formas de dançar que permanecem apenas na memória e na dança de quem vivenciou o período. Bailarinas que foram referências e influenciaram toda uma geração mas sobre as quais quase não há registro.  Pessoas que não aparecem no "web word"  mas que desenvolveram silencioso  estudo sobre o feminino e essa dança que tanto nos encanta.  As vezes me pergunto se essa velocidade toda em busca do tecnicismo não nos afasta mais e mais do feminino.  Mas ainda não encontrei essa resposta. Só sei que, atualmente, sinto  necessidade de rever a base do conhecimento, de selecionar , em meio a tanta informação, o que realmente é essencial para mim, para minha Dança e para minhas aulas, acima de tudo, na responsabilidade que o Universo me conferiu como professora. Tudo isso pra não me perder no processo criativo e preservar as fontes que contribuíram para que eu chegasse até aqui.

            Em meio a esse processo de busca, encontrei um texto de uma bailarina que não mora mais no Brasil mas que fez um trabalho muito interessante e poético, no início do estudo da Dança do Ventre no Brasil, com referências à Mitologia Egípcia e seus arquétipos associados aos movimentos da dança.  Trata-se de Regina Ferrari. Pouco material eu tenho sobre ela, mas o principal eu utilizo até hoje como recurso didático em minhas aulas: o tarô da dança do ventre. Também gosto da maneira como ela conta o Mito de Ísis e Osíris através da Dança, da nomeclatura de movimentos da dança associada à Mitologia Egípcia. Enfim, como sei que a maioria das pessoas não vivenciou e nem ao menos conheceu esse material, me dei ao trabalho de digitalizar todas as cartas do tarô e também de digitar toda a narração do vídeo "A Arte Sagrada de Iaset", de Regina Ferrari.  Espero que este trabalho de resgate possa inspirar minhas alunas e as leitoras deste Blog.


         Regina Ferrari publicou um livro, além do material em VHS e do "Tarô da Dança do Ventre". Eu tenho o tarô e também ainda tenho o VHS(mas não está em boas condições). Infelizmente não tenho o livro, se alguém tiver, gostaria muito de adquirir nem que seja uma cópia para estudo desse material. Já procurei em sebos virtuais mas está sempre esgotado, lamentavelmente. Quem sabe se muitas pessoas escrevessem pra Editora eles pudessem lançar uma segunda edição.


Livro: A Arte Sagrada de Iaset, Regina Ferrari




Nas cartas do tarô da dança do ventre, todo conteúdo nos remete à Mitologia Egípcia.
As mãos lembram a delicadeza das flores de lótus.
Os movimentos dos braços nos remetem à sinuosidade das serpentes.
O olhar carrega a força e o magnetismo do olho de Hórus.
O quadril descreve um grande círculo enquanto o tronco inclina-se à frente, como os galhos de árvore curvando-se ao vento, e reverência a Terra, num movimento que pode ser chamado de Lua cheia.
Deitada na lateral do corpo, desenvolvem-se movimentos sinuosos que nos remetem ao elemento água, ao inconsciente, à imagem de uma sereia.
O cambré, em reverência ao elemento ar, nos faz evocar a força dos ventos e a essência da vida.
Movimentos delicados com as mãos em direção ao céu, nos remetem ao elemento fogo e a força vital do Sol, reverenciado pelos egipcios.
O movimento do camelo nos remete a imagem da deusa Nut, por ser ciclico como os dias e noites.
A delicadeza do "sorriso de Isis", a magia do "olhar do passado" são exemplos de movimentos que podem ser perfeitamente realizados conferindo mais feminilidade à dança.


Regina Ferrari




O texto abaixo foi extraído do VHS "A Arte Sagrada de Iaset", da professora Regina Ferrari. Eu me dei ao trabalho de digitar toda a narração do material, que foi feita pela própria Regina para que possa ficar registrado para estudo pessoal, de minhas alunas e de quem mais queira ler. Se for utilizar em pesquisa, peço que faça citação da autora - Regina Ferrari.

A ARTE SAGRADA DE IASET - por Regina Ferrari


          No Antigo Egito, todos os fenômenos da Natureza estavam associados à Origem Divina.
          Os egípcios acreditavam que no céu vivia Nut, uma grande deusa, protegendo a Terra e parindo de seu ventre o sol, todos os dias e a lua todas as noites. Mais tarde, essa deusa se manifestou em duas expansões: como Hátor, a mãe vaca e como Ísis, a deusa da lua.
          Nos rituais em homenagem à deusa mãe, nos templos de Ísis, eram praticadas danças que simulavam, através de movimentos e ondulações do ventre, a origem da vida em todas as suas manifestações, permitindo a fusão da mulher com a divindade.
          No Antigo Egito, rituais eram realizados em homenagem a Ísis, deusa da lua, da magia e dos mistérios.
          A ela eram oferecidos: flores, fogo, água, incensos e essências.
          Com devoção, as sacerdotisas tocavam vários instrumentos, experimentando um sentimento de amor por todo o Universo.


O Mito de Ísis e Osíris:


          A cerca de 4000 ano atrás, no Antigo Egito, o aspecto masculino e feminino de um deus único e absoluto era adorado na forma de Ísis, deusa da lua e Osíris, deus do sol.
          Nos templos, as sacerdotisas cultuavam a deusa Ísis, sendo abençoadas com beleza, magia e sensualidade. Iniciavam os rituais envoltas por um véu, o qual era sagrado, e sua retirada simbolizava que o conhecimento oculto seria transmitido.
          Com intuito de agradar a deusa, as sacerdotisas ofereciam flores de lótus (terra), água (água), fogo(fogo), incensos e essências(ar).
          Reverenciando os deuses, as sacerdotisas imitavam-nos  em suas posturas.


Rá, o Deus supremo, um sol e fogo crescentes que para salvar a Terra de conflitos e maldades envia seus filhos,


          Ísis, trazendo leveza, sensualidade, doçura e mistério,
Iaset ou Ísis
Néfth, sua irmã gêmea e amiga 
Nefth
e Osíris, contendo em suas mãos o chicote e o bastão como símbolos sagrados. 
Asar

Osíris, o sol, irmão e esposo de Ísis, a lua, é morto por seu irmão Seth que invejoso de sua posição corta-o em vários pedaços e joga-o ao Rio Nilo. Surge então a noite e a escuridão predomina.


Seth
 Ísis, desolada, procurou pelo mundo, lamentando inconformada.
Lamentação de Ísis
E conseguiu trazê-lo de novo à vida para reinar no tribunal judiciário da alma, com ajuda de Anúbis, o deus chacal.
Anúbis
Neste instante, Osíris penetra, através da respiração, no ventre de Ísis, gerando-lhe um filho: 


Renascimento
Hórus, o deus falcão, que luta contra Seth para vingar a morte do pai. E assim, volta a reinar a paz na Terra.
Hórus
          Uma vez reverenciados os deuses, as sacerdotisas buscam a harmonização com os elementos da Natureza, adorando suas respectivas divindades e obtendo ensinamentos.
          Representada por uma árvore que se curva ao vento, a Deusa da Terra revela a necessidade de ser humilde e flexível de acordo com as circunstâncias.
A Deusa da Terra
A Deusa da Água, como um rio que desce em seu curso, revela a necessidade de ser receptivo a novas informações, como também a capacidade de criar e gerar vida, a fertilidade e a sensibilidade.
A Deusa da Água
A deusa do fogo, como uma chama crescente, demonstra que a ambição, a determinação e a inspiração são importantes para evoluir nesta vida.
Deusa do Fogo

          Representando o vento cósmico, a deusa do ar representa a necessidade de buscar e trocar novas informações como também a importância da comunicação e do conhecimento.
A Deusa do Ar
       
Reverenciavam também a deusa Maat, senhora da justiça, da verdade e do equilíbrio, que porta uma pluma em sua cabeça e julga os mortos no tribunal de Osíris.
Maat
          Após esta adoração, as sacerdotisas buscavam a Harmonia do Universo representando os animais e procurando senti-los em sua essência.
          O gato, como deusa Bastet, representa o mistério, o enigma profundo e a leveza do ser.
Bastet


          O pássaro, como Thot, o deus águia, revelava o conhecimento e a comunicação entre os homens.
Thot


          A deusa Toueris, como fêmea de hipopótomo grávida representava a fertilidade e a abundância. protegia as mulheres grávidas e as crianças.
Touéris


          A deusa Nut com seus movimentos alternados de dia e noite, posteriormente foi associada ao movimento do camelo, representando a constância e a resistência.
Nut


          A gazela em sua simplicidade, graça e leveza, demonstra beleza e espontaneidade.
          A serpente, como naja, revela a expansão da energia vital, concedendo a evolução do espírito e poderes místicos.
A Serpente


A deusa sekmet como a leoa, corajosa, impulsiva e defensora dos fracos e de Rá era reverenciada.
Sekmet


          A deusa Hátor, como a mãe vaca, que a todos nutre com sua bondade e compaixão, também era imitada.
Hátor


          O crocodilo, como a deusa Sebek, emergindo das águas profundas, representava a capacidade da alma de evoluir mesmo tendo origem impura.
Sebek
          O carneiro, como Amon, demonstrava continuidade e persistência ao pular obstáculos.
Amon-Rá


          O escorpião, como a deusa Sélkis, representava a capacidade de transformação através do sexo e da morte. O escaravelho, como Khepri, é comparado às forças que fazem mover o Sol. Tefnut, simbolizada por uma mulher com cabeça de leoa, simbolizava generosidade e dádivas.
Sélkis
            
Khepri

Tefnut
          Após todo o ritual de harmonização, as sacerdotisas ofereciam com devoção o seu coração para a deusa Ísis e o ventre para Osíris, com a finalidade de se energizarem com sua força solar. 
A Oferenda
Em seguida, cantavam e dançavam para a deusa, irradiando energia, cor e beleza, alcançando um estado de êxtase espiritual.


Trindade






Significado das Danças Egípcias


Dança dos Sete Véus


Sete Véus
Nesta dança sagrada, cada véu corresponde a um grau de iniciação, a um chakra, um planeta e uma cor. Cada planeta possui determinadas características e a retirada de cada véu representa a dissolução de seus aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.


A Dança dos Nove Véus:

          Segundo os egípcios, nove são os corpos do Homem.
          A Dança dos Nove Véus procura revelar e trazer à consciência destes corpos mostrando uma realidade extrafísica na qual a pessoa deverá buscar sua realização interna.


Dança com Punhal

Sélkis
Em homenagem à Deusa Sélkis, rainha dos escorpiões cuja simbologia representa a morte, o sexo e a transformação.



Dança com Sagats

Sagats
Nos templos, antes dos rituais, as sacerdotisas procuravam energizar o ambiente tocando sagats, pequenos címbalos de metal, acompanhando o ritmo da música, transformando a sintonia do momento, pediam aos deuses que o rito fosse aceito e que pudesse trazer frutos para a Humanidade em forma de paz, harmonia e felicidade.


Dança com Jarro


A Dança do Rio Nilo - No ano novo egípcio, antes do sol (Rá) surgir, a estrela sírius surgia anunciando a luz. Neste momento, o espírito das águas se manifestava trazendo fertilidade e fartura para a nação. O faraó, deus vivo, junto com os sacerdotes e sacerdotisas, vinham ao Rio Nilo cumprir um ritual sagrado que simbolizava a energia espiritual trazida para que o rio inundasse os campos e depositasse o humus fértil.  O faraó compartilhava com o espírito das águas, Hápi, a essência da água como força renovadora e enchia novamente o jarro com água do rio. Os sacerdotes entoavam um hino em louvor a Hápi enquanto as sacerdotisas dançavam. A dança do pote d´água tinha a finalidade de relembrar esta prática ritualística do Antigo Egito

        A Dança do Ventre, apesar de ser essencialmente baseada na emoção, possui uma técnica bem definida. Cada movimento está associado aos elementos da Natureza, animais e divindades.
          A postura da bailarina deve ser elegante e procurar, na maioria dos movimentos, proteger a região mais íntima do seu corpo.
            Os movimentos das mãos devem ser suaves e delicados, lembrando as flores de Lótus, as ondas, o infinito, os peixes, as ondas do mar. 
As Flores de Lótus
        Os dedos representam pétalas de lótus e desenham no ar vários símbolos tais como raios de sol, o infinito e as folhas caindo das árvores.
As Pétalas de Lótus
          Para os egípcios, os seios são sagrados, símbolos de Geb, a Terra. 
Geb
      Na dança de Iaset passam a ter expressão própria revelando, através desa região do corpo, onde se encontra o coração, o amor infinito. O movimento pode simbolizar o sol, a lua, o infinito de Geb, a Terra.
Amamentação
                    Considerada como uma deusa pela capacidade de gerar um filho em seu ventre, a mulher egípcia era bastante respeitada. O ventre, considerado sagrado, era glorificado nas práticas ritualísticas, com movimentos ondulatórios que simulavam a fertilidade e o nascimento de uma vida. Com ele executava-se o movimento de pulsação do ventre que consiste numa expiração pelo nariz continuadamente ao ritmo ou melodia da música; o movimento de ondulação do ventre que consiste numa inspiração expandindo o ventre e a seguir uma expiração, contraindo o ventre. Este movimento apresenta-se lento e contínuo.


A Entrega
Movimentos Variados:


Olhar do Passado
Bés
Lua Minguante


Disco Solar
Sorriso de Ísis


A Barca de Rá
A Dança Profana
A Esfinge
Shu




          Na Dança de Iaset, a cabeça representa o plano intelectual e espiritual e o corpo, o plano físico. Com ela executa-se o movimento da cabeça da serpente.


A Reverência


          Na Dança do Ventre, o quadril da bailarina mostra-se sinuoso e ondulatório, revelando a influência lunar. A bailarina desloca-se de um lado para o outro causando um clima de sensualidade enigmática e misteriosa. O clima de expectativa e euforia decorre das batidas e movimentos acelerados, de característica solar. Uma bela coreografia deve ser composta de alternando-se estes dois tipos de movimentos.


Movimentos Ondulatórios do Quadril:


- Água Infinita - representa a capacidade infinita da água de renovação e transformação (oito para frente)
- Terra Infinita - revela a capacidade da Terra de proteger seus filhos, trazendo segurança e estabilidade.(oito para trás)
- Fogo Infinito - indica a capacidade do fogo de expansão e crescimento.(oito para baixo)
- Ar Infinito - revela o vento que corre em todas as direções (oito em meia ponta à frente, um lado somente do quadril)
- Fogo na Terra - círculo de fogo com deslocamento lateral


          O tremido representa o medo sendo que a aceleração do quadril vai rompendo as barreiras da insegurança. O momento da vibração do chakra básico concede mais força, determinação e impulso à natureza feminina.
O Medo


Composição da Coreografia


          A Dança Egípcia age em quatro fases:


Lua Minguante - quando a bailarina entra com o véu escondendo o seu corpo, mostrando que o mistério será revelado.
Lua Crescente - quando a bailarina solta o véu e a música se revela mais agitada, acelerando seus movimentos.
Lua Cheia - quando a bailarina se apresenta em plenitude, girando e circulando pelo ambiente. Na fase da lua cheia, os giros embeleza a coreografia, trazendo uma atmosfera de leveza.
Lua Nova - quando a bailarina se renova com movimentos ondulatórios e com o ventre sinuoso ou pulsando.




A Dança com Véu:


          Na Dança de Ísis, o véu promove um clima de pureza, mistério e magia.
          Ao dançar com véu, a bailarina experimenta um sentimento de êxtase como se estivesse provando o néctar dos deuses.


                                                    Véus e alguns de seus estilos:



Véu do Olhar Misterioso




Véu do Templo




Véu da Rainha


Véu da Sacerdotisa


Véu Naja


Véu do Palácio
Véu do Vento Cósmico
Véu da Deusa dos Escorpiões
Véu da barca de Rá
Véu de Nut
Véu da deusa da magia e dos mistérios
Véu da Escrava
Véu de Ísis
Véu da Egípcia









"A beleza da Dança do Ventre encantou muitos povos que invadiram o Antigo Egito. Como culto à Deusa Mãe Ísis, a dança começou a perder sua mística e a se distanciar de seu simbolismo sagrado, quando saiu dos templos e foi introduzida em outras culturas que lhe atribuíram novos nomes e significados, apresentando-a em estilos diferentes, exaltando tão somente o corpo e a alegria."
(Regina Ferrari)


Regina Ferrari