quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

HORÁRIOS DAS AULAS DE Dança do Ventre



O Núcleo Cultural é uma equipe de pesquisa que resgata as raízes das Danças Orientais.

A Dança Oriental mais conhecida e popularizada é a "Dança do Ventre". No entanto, quando as pessoas procuram esta Dança, possuem uma visão bastante ocidentalizada.

Nosso objetivo é ir além dos estereótipos e ir de encontro ao resgate dos arquétipos, ou seja, da essência feminina e sagrada destas danças.






Quando a mulher busca praticar esta dança muitas vezes vem atraída pelo brilho das roupas, pelas músicas exóticas e buscando resgatar sua feminilidade e sensualidade.


Até aí tudo bem. a questão é que, no Ocidente, há uma deturpação muito grande do que seja sensualidade.  as mulheres dançam para agradar o outro. Isso é um ideal machista que vem desde a época dos haréns.

O que nós, no Núcleo, buscamos é a essência que pode ser vista nas danças sagradas, nas danças da Pérsia, da Turquia, do Rajastão, de Israel muito mais do que conhecemos por Dança do Ventre hoje no Egito. Nós dançamos pela Arte e sua beleza, para conectar com esse poder todo que essas danças representam e evocar, de uma certa maneira, essa força interior.

HORÁRIOS - Dança do Ventre e Danças Orientais 

turma 1 
SÁBADOS  11h00 às 12h30

turma 2

Segunda e Quarta   18h30 às 19h30
                       
turma 3
Segunda e Quarta   19h30 às 20h30

Dança Flamenca 

sexta-feira                18h30 às 20h00







Ballet Denise França 
Endereço:
Av. Tancredo Neves, 432 –  3627-5742
(Próximo ao Viaduto UFMT)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Arte Orientalista, inspiração para Dançar e Coreografar


          Além do estudo da música, nós, coreógrafas orientais, recorremos ao estudo da Arte Orientalista. "Orientalismo na Arte é a retratação de elementos, descrição ou imitação no que se refere a Cultural Oriental." Lembrando que entendemos por Cultural Oriental todo legado dos países do Médio Oriente inclusive norte da África e Turquia pois há um forte intercâmbio cultural entre eles.
          Através da apreciação da pintura, podemos notar detalhes de postura, expressão, além da construção dos figurinos, dos personagens das coreografias, etc
          Gosto de pensar, ao observar uma dessas mulheres retratadas, que música combinaria com a cena, com o figurino. Como seria sua personalidade. Que tipo de peça coreográfica combinaria com esta mulher. Como poderia retratá-la. Enfim, é uma maneira de entrar em contato com uma época onde a dança era muito orgânica. desde que comecei a me interessar por esse estudo, a construção coreográfica num todo mudou, a começar pelos figurinos. Antigamente eu adquiria meus figurinos em ateliers. Hoje, eu mesma construo. Cada tecido, cada detalhe. sempre me inspiro nestas retratações. Não vemos trajes de duas peças (cinturão/bustiê). Vemos muita sobreposição de tecidos, muita renda, sedas. Calças fofas (que chamamos de "harém"),lenços soltos amarrados colares de pérolas...

William Clark Wontner
Inglaterra (1857-1930)
Safie - One of The Three
Selecionei algumas imagens que gosto muito. Vou tecer alguns comentários sobre estas imagens. No entanto, cada vez que apreciamos uma obra de arte, vemos detalhes e elemento novos. Também depende da música que estamos ouvindo, do estado de de espírito, do  momento... é tudo efêmero!   O ideal é realmente apreciar sem pressa. Como quem saboreia um vinho muito bom. Devagar e despertando os sentidos. Vale ressaltar que é uma leitura amadora em reação as Artes Plásticas, uma visão de dançarina.


          Nesta primeira imagem, ela tem um véu sobre a cabeça num semblante sereno. Observe a delicadeza das mãos. A mão que segura o véu possui uma linha arredondada. A blusa é de de uma seda muito delicada, com  um bolerinho de renda
sobreposto. Na parte superior, tecidos esvoaçantes. Nos quadris, um tecido pesado que deixa a silhueta arredondada e bem marcada, com peso, porém sem definição. O ventre coberto com transparência e com tecidos soltos, leves, esvoaçantes. esta dançarina poderia estar dançando um música com uma base rítmica bem marcada, mas com um ou dois instrumentos melódicos suaves, como a flauta ou um alaúde. Interpretação bem feminina, um mistério delicadamente insinuado pelo véu.


Emile Vernet Lecomte - Paris 1821   

          Pelo traje podemos notar que trata-se da cultura balkan.
          A ligação entre as danças balkans e a Dan
ça Oriental já vem sendo muito estudada e esse é o tema de outra postagem que estou preparando pro Blog.
          Mas vamos analisar a cena em si, a que situação nos remete. Eu particularmente gosto muito desses figurinos pelas sobreposições e possibilidades de composição.
          A dança balkan assim como as mulheres da Macedônia são de personalidade forte e vigorosa. No entanto nesta retratação notem que a modelo pousa com uma flor tentando simular uma certa fragilidade que se contrapõe totalmente a riqueza de cores do próprio figurino. é como se ela quisesse deixar subentendido que, por detrás de tanta exuberância, há sim uma fêmea que pode ser frágil e delicada em alguns momentos.
          Quando analisamos uma obra de Arte como esta, há inúmeras possibilidades basta deixar-se envolver.

Jacques Baugnies

          Pés descalços, sagats nas mãos, uma cena bastante musical de interação da dançarina e do músico, que toca um mizmar.
          Essa inclinação de cabeça me chama bastante a atenção. As dançarinas orientais são as únicas no mundo que conferem tanta languidez postural. Isso faz parte de uma entrega ao som melódico que a envolve neste momento.
          Não existem vídeos da dança nessa época. Essas obras de arte são nossa única conexão. Mas através delas temos acesso a um rico conteúdo de linguagem corporal e elementos cênicos.
           Notem a posição das pernas, dos joelhos e como os sagats estão na altura dos quadris como que emoldurando o movimento. esses detalhes são muito importantes.
          Outra coisa que me chama atenção é a posição dos pés mostrando nitidamente a transferência de peso ao destacar o quadril.
          Esta cena ficou viva e eternalizada pelo artista.



Fabio Fabbi

          O duff é um dos instrumentos mais retratados pelos artistas orientalistas. Mais até mesmo que os sagats ou véus o que nos leva a crer que era muito utilizado pelas dançarinas.
          Nesta imagem há muita leveza conferida pelos braços alados, pelo semblante contemplativo para o alto, e os pés delicadamente tocam o solo. É uma das poucas imagens da época em que a dançarina mostra um pouco do ventre, mesmo que da parte superior. Normalmente elas dançavam completamente cobertas. Notamos a presença do turbante que não tira a leveza do figurino talvez pela cor. Novamente ela contrapõe o tecido esvoaçante com o pesado lenço de quadril. A saia no entanto é bem rodada e a presença dos músicos na cena a tornam bem viva.






Felix Auguste Clement, An Evenings Entertainment 
David Roberts- The Gawazee Of Cairo

          Eu gosto de comparar as duas artes seguintes. É bem óbvio que trata-se da mesma dupla.
          Na primeira cena, podemos notar vários músicos e instrumentos, como alaúde e nay e uma mulher tocando duff. As dançarinas tocam delicados sagats e interagem. As calças fofas conferem peso ao quadril em contraposição às delgadas cinturas. Utilizam sapatinhos.





          Já nesta segunda obra, vemos uma mulher tocando o duff
e dois músicos tocando rababas. Novamente elas tocam sagats, interagem e vemos na dançarina da esquerda a utilização de um vestido que lembra muito os vestidos das dançarinas persas e nos levam a crer numa evolução até o que conhecemos pelas galabyas gawazee.


          Este post está em construção. Escolhi inicialmente imagens que retratam a dança de maneira mais dinâmica. Mas há tantas imagens lindas que merecem ser citadas que deixarei o post em aberto e vou construindo aos poucos, vou me permitir não me despedir deste tema pois o considero de suma importância para todas as pesquisadoras da Arte e da Dança.


...em construção...


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Dança Persa Contemporânea

Na Antiga Pérsia - hoje Irã - uma forma extremamente

diferenciada de dança, caracterizada pela

graciosidade, surgiu: a Dança Persa.

Dança Persa é uma forma romântica de dança,

profundamente influenciada pela Poesia.

Já a Dança Neoclássica Persa constitui-se de uma delicada

forma de Arte de Improvisação, na qual

predominam delicados e expressivos movimentos de mãos,

ombros, braços, giros e expressões

faciais encantadoras. É uma dança muito feminina, delicada e que transmite muita leveza, uma

leveza de fato espiritual.

Há uma ênfase na parte superior do tronco, onde a dançarina cria verdadeiras esculturas em

movimento, deslizando pelo chão ou afundando languidamente em belas extensões de linhas

corporais alongadas, expressando, muitas vezes, uma antiga simbologia mítica e espiritual.


(...em construção...)

Kalbelyas, as ciganas do Rajhastão (India) e a Dança Rajasthani

   
Yasmine Amar Kaur - Kalbelyas
       No deserto do Thar podemos apreciar uma das mais sensuais danças do Rajastão.

Kalbelya dance ou ainda Rajasthani Dance é o nome desta forma de dança representada pela tribo cigana com o mesmo nome. Estas danças são parte integral da cultura desta comunidade.
          Kalbelya, tribo nômade do deserto cuja principal ocupação é caçar cobras para comercializar seu veneno, também é conhecida como Sapera.

          Os movimentos dessa dança folclórica lembram a sinuosidade da cobra, mas também falam da moça da aldeia que vai casar, sua despedida, a confecção do sari vermelho, a vaidade e a preparação que envolve todo esse grande acontecimento.
          A música é tarefa dos homens, exímios intérpretes de instrumentos como o Pungi, Dufli, Beer, Khanjain, Morchang, Khuralio ou do Dholak. As danças são na maioria dos casos interpretadas pelas mulheres, que usam vestidos pretos e vermelhos escuros.
        Dentre as danças Kalbelia, podemos citar a dança Matkee (dançada com diversão diária, por várias mulheres em círculo - no vídeo da Unesco, ela é apresentada em 3:26), a dança Loor (apresentada durante o festival da cores, ou Holi - no vídeo da Unesco, ela é apresentada em 4:40) e a dança da Serpente (que apresenta movimentos que lembram as serpentes - no vídeo da Unesco, ela é apresentada em 7:16).

         Tanto a música quanto a dança dos Kalbelia fazem parte de uma tradição oral. Em outras palavras, não existem livros ou manuais que as ensinem ou descrevam. Tudo é passado para as novas gerações de maneira verbal ou através da observação.
Yasmine Amar - Kalbelyas Fusion - SESC

           Em 2010, passaram a fazem parte da lista de Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.
 
           Minha experiência com esta dança foi no intuito de trabalhar uma fusão étnica contemporânea. No entanto, a força da música e dos movimentos acabaram me levando a aprofundar no estudo do folclore em si. É uma dança forte, envolvente. Quando estudamos um folclore devemos nos despir das posturas de outras danças. Mesmo que seja com intuito de executarmos uma fusão. Inicialmente compreendemos a forma estudada em sua essência para então fusionar.
Coleena Shakti em Deserto do Thar

            Uma dançarina que realizou uma pesquisa incrível, produzindo um documentário belíssimo com as kalbelyas, é a Colleena Shakti. Esse documentário pode ser encontrado no You Tube com o título "The Power of Dance - Colleena Shakti" e fala sobre a força dessas mulheres que sobrevivem às agruras do deserto:


 
 


Fontes Bibliográficas:

KALBELIA, A DANÇA DOS CIGANOS DO DESERTO DO THAR

Escrito por RUI PEDRO FONSECA em 2010-01-26 18:10:55
 

Danças Ciganas: Kalbelia

 http://grupoamaryllis.blogspot.com.br/2013/04/dancas-ciganas-kalbelia.html 

domingo, 7 de abril de 2013


Dança Turca Cigana ou Turkish Romani


História

Nos tempos antigos, há cerca de quase 1000 anos atrás, o povo Rom imigrou da Índia e do Egito para a Pérsia, Turquia, Armênia e Grécia. Entre os séculos XIII e XV, eles chegaram e se hospedaram da Europa. Chamado de "viajantes" na Europa, assumiam ocupações que lhes permitissem viajar. Como resultado de seu estilo de vida temporário, os Rom tendiam a recolher movimentos de dança de vários lugares por onde eles passaram. Hoje, há uma grande comunidade de pessoas ciganas que vivem na Turquia. 

Sua dança tornou-se uma das danças nacionais da Turquia e ao povo turco se referem a ela como "Dans Roman".
 
Metin And, um especialista turco em danças folclóricas turcas, diz que há grandes similaridades entre muitas danças folclóricas turcas e as danças dos Bálcãs (Iugoslávia, Romênia, Bulgária e Grécia).   
As danças turcas se desenvolveram em dois planos diferentes, e em dois contextos culturais: Istambul, capital do Império Otomano, algumas outras cidades grandes, e as vilas rurais. 

O Sr. And sustenta que o isolamento geográfico de vilarejos remotos ajudou a preservar mais de mil danças folclóricas. Esses camponeses são os fragmentos incertos das hordas nômades que vagavam para a Ásia Menor na Idade Média, alguns dos quais ainda são semi-nômades.




Ritmo

A música turca tem padrões de ritmo complexos e incomuns, como o "asak" que são polirítmicos e assimétricos como 9/8, 9/4, 10/8 e 7/8. a palavra "karslima" significa "defronte", e essa dança era do gênero folclórico onde duas filas de dançarinas se encaravam. a fim de "pegar a música e suas nuances, você tem que esperar ou acelerar seus passos - e eis o grande desafio para a dançarina ocidental, acostumada com ritmos ais lineares. Superado este obstáculo, a dança é simples, forte e e de uma sensualidade ímpar. Esta dança contem ampla gama de humores e sentimentos para o dançarino expressar, incluindo acontecimentos do dia a dia.
A contagem desse ritmo é percebida coo 1 -2 -3, 4 5

Figurino:

Os trajes são coloridos, as mulheres enfeitam seus cabelos com lenços ou simplesmente deixam-nos soltos sobre os ombros. Cachecóis e xales de cores vivas, alguns bordados com fios de ouro, vestidos ou sais rodadas normalmente sobrepostas a uma calça que pode ser a "calça harém", utilizada para dançar "sulu kulê", dança também de origem turca.








    
Clara Sussekind
Gestos e Movimentos:  
Gestos que os dançarinos usam tipicamente são do cotidiano, incluindo a lavagem de roupas, limar o suor, admirar as próprias jóias que adornam suas mãos, dentre outros. Alguns movimentos são feitos com os dedos cerrados como se estivesse socando o ar, e também os quadris, simbolizando a força. a expressão facial e corporal traduz poder, ousadia e até mesmo uma certa arrogância. As mãos também podem marcar o ritmo com estalos, palmas e socos no ar. Como em outras formas de dança folclórica, o ritmo é evidenciado e pode ser feita uma marcação de pés que varia muito conforme o andamento da música mas inclui passadas e contratempos. Geralmente os movimentos abdominais e de quadris são feitos da seguinte forma: a área do umbigo contrai ao ritmo e contagem dos cinco tempos. É uma movimentação bastante típica. A movimentação ocorre em toda bacia pélvica, mas sempre partindo do ventre. Predominantemente, ocorrem muitas torções e círculos de quadril. É comum também algumas mulheres demonstrarem força e flexibilidade com o movimento da queda turca e outras evoluções no solo. Os giros se fazem bastante presente nesta dança, com a saia bastante rodada, como na maioria das danças ciganas.



Miriam Peretz
Indicações de Bailarinas para estudo:

Reyhan Tuzsuz,

Artemis Mourat,

Sema Yildiz,

Myriam Peretz e

Clara Sussekind.









Referências da pesquisa: 

1- Gilded Serpent, Belly Dance News- Events>>Turco"Roman Gypsy Dans"opyright 1998 - to current date by Gilded Serpent,LLC

2- Biblioteca de Dança

3- Workshop "Miscelânea Cigana" com Yasmin Nammu (Itália) em São Paulo (2013)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Zeinab por Hossam Ramzy



Zeinab –  por Hossam Ramzy
Introdução
Você nunca verá um grupo coreografando um improviso Baladi. Simplesmente não se faz, embora no “SHARQI” haja diversas coreografias de grupos e na verdade, quando o “RAQS SHARQI” começou, usava-se muito a presença de bailarinas de fundo (veja a série de vídeos “Stars or Egypt” ™). Então, o que é Baladi?
Venha comigo para um passeio pelas ruazinhas do Cairo. Não exatamente pela rua Mohammed Ali, o local onde viviam e vivem diversos músicos, dançarinas e outros artistas desde o final do século passado, isto é muito óbvio; vamos para Haret Zeinhom, no distrito El Sayeda Zeinab do Cairo. Mas... Quem vive ali? Pessoas que se mudaram para a cidade algumas centenas de anos atrás, ou ainda antes disso. Estas pessoas vieram de outras cidades do Egito como El Mahalla, El Kobra, Alexandria, Luxor, Aswan, Asyout, Quena, Banha, Damanhour, Domiat, Sohag... ou qualquer outra. OK... Por quê? Para conseguir melhores empregos ou comercializar seus produtos.
Agora, estas pessoas são muito especiais, elas não são como o povo da cidade, entretanto, algumas são muito bem educadas e continuam educando suas crianças. Muitos deles são agora doutores, arquitetos, advogados, militares, diretores de grandes companhias ou ainda estão trabalhando no Governo. E mesmo se tornando parte da cidade grande, eles ainda sentem muito orgulho de suas raízes e portanto ainda são muito ligados a elas, e é isso o que eles sempre irão chamar de “CASA”, a cidade ou vilarejo de onde vieram. Eles dizem que um dia ainda irão retornar a “EL BALADI”, ou seja, meu lugar, minha terra natal.

Em árabe, “BALADI” significa meu país, minha terra natal. Mas para o “sofisticado” povo da cidade (uma das definições do dicionário para Sofisticado é irreal, falso) significa algo que cresce do chão, ou seu país, ou caipiras ou mesmo roupas de gosto duvidoso. Eles dizem “Ohh lala, isto é Baladi”. OK. Vamos agora observar a vida deste povo Baladi, e vamos prestar atenção em uma jovem moça imaginária e estudar seu dia a dia, o que se espera dela, o que ela espera da vida, suas ligações com o mundo. Vamos chamá-la......Zeinab.

A família de Zeinab não é rica, eles moram em uma área pobre, em Haret Zeinhom. Seu pai trabalha em uma fábrica e ganha muito pouco, apenas o suficiente para sustentar a família, composta por sua mãe, outras irmãs mais novas e dois irmãos, que têm 25 e 23 anos. Ela é a terceira criança e tem 18 anos, completamente crescida e madura e poderia quebrar seu coração com um sorriso ou um olhar de seus belos olhos. Com seu longo cabelo negro e uma face semelhante à da lua cheia sorrindo para você de alto a baixo, você verá que o respeito das tradições familiares não apenas foram plantados nela mas também floresceram juntamente com seus irmãos protetores, que são muito temerosos, COMO TODOS AQUELES QUE ESTÃO LENDO ESTE TEXTO, cada um com seu próprio grau de reputação, honra e respeito. Isto é TUDO o que o povo BALADI tem, e é TUDO com o que eles se preocupam:
  SE RESPEITAR E SER RESPEITADO POR TODOS OS OUTROS.
Part I
Agora você poderia lançar-me um olhar de censura e dizer que os irmãos, ou os homens controlam a garota, etc... etc... mas antes que você faça isso, por favor pergunte-me esta questão vital:
P) Quem ou o que são as mulheres para um homem egípcio/árabe?
R)Uma mulher para um homem egípcio pode ser: Mãe, irmã, filha, tia, avó, prima, noiva, esposa ou empregada doméstica. Bem, um egípcio não poderá NUNCA dizer não para nenhuma destas damas. Elas controlam completamente sua vida. Aquilo que ele come, aquilo que ele veste, o local onde ele irá dormir, que emprego “ELAS” terão orgulho que ele assuma, e ELAS ESCOLHEM PARA ELE A MULHER COM QUEM ELE IRÁ SE CASAR.
Conheço diversos desastres causados por algum pobre homem que se casou com uma garota que não era a escolhida pelas mulheres da família. Virou um inferno na terra. Acredite em mim, meu irmão fez isso 30 anos atrás, e vive apenas para consertar seu erro. Porém, as senhoras têm suas próprias leis morais de conduta e o que elas consideram ser uma boa mulher ou uma não tão boa. Ela deve ter qualidades e hábitos que as demais aprovem. Veja bem, ela será a porta e um agente especial para o marido, para convencê-lo, à sua maneira, a fazer o que as outras mulheres querem que ele faça.
Eu não estou aqui para julgar nada nem ninguém, eu estou apenas fascinado pela maneira como este jogo de xadrez é jogado. É um jogo da vida, e as mulheres egípcias o jogam apaixonadamente, até o fim.
Lembro-me de quando eu era um jovem no Cairo, eu tinha um grande amigo que também era baterista chamado Tareq, nós dois éramos muito “SOFISTICADOS” (ooops), provenientes de famílias de classe alta. Minha família era Pashas e estava na indústria do cinema e também havia mercadores muito ricos de ouro e diamantes do Khan el Khalili. Um dia, Tareq e eu estávamos em El Hossein, e andávamos atrás de uma moça.
Esta moça Baladi devia ter cerca de 28 anos de idade, e nós tínhamos cerca de 16 ou 17. Ela vestia uma longa Galabeya que estava bem folgada, mas onde o Melaya estava amarrado, podíamos ver a maravilhosa forma de “Coca Cola” (Tamanho padrão) (brincadeirinha) de seu corpo. Havia uma certa parte de sua traseira que se movia independentemente, como dois gatinhos brincando em um saco, ...... Então, ritmicamente, Tareq e eu começamos a cantar um Maqsoum para seu andar: Dom Tak Trrrrak Dom Retitak ....... e após algumas barras de compasso nós não agüentamos mais e começamos a rir. Mas eu nunca esqueci aquele dia. Ela andava como se não houvesse nenhuma outra mulher para se olhar neste abençoado planeta além dela. Até onde ela sabia, ela ERA. Orgulhosa, forte, agradável e muito respeitável, e cheia de força feminina. Imagine que esta era Zeinab. Agora, a irmã mais nova de Zeinab, Souaad, está se casando, e este é provavelmente o dia mais feliz da vida de Zeinab, mais feliz ainda que a noite de seu próprio casamento. Para ela, agora o dever de sua família foi cumprido, e seu pai e sua mãe podem começar a ter um pouco de vida para si mesmos também. Não pense que ela não irá dançar nesta noite, pode apostar que sim. E em PÚBLICO também. Como ela irá fazer isso sem quebrar as tradições de nunca expor uma grande porção de sua feminilidade em público de modo a não envergonhar seu esposo, que deve ser respeitado e deve dar a idéia de um “LEÃO” da família, se não de toda a vizinhança, de modo que ele possa ficar quieto e continuar a fazer o que está fazendo, ir trabalhar todos os dias e trazer o dinheiro para a casa, para dar a ela? Ela terá que dançar bem devagar, conquistando seu espaço pouco a pouco.... Um pequeno taqsim ou um Oud, ou como se faz recentemente, um acordeom ou um saxofone ou mesmo um teclado, é uma boa maneira de começar. Ela terá que dançar em um único ponto, com pequenos e contidos movimentos, muito contida mas cheia de sentimento pela música, e expressando a música.
Se a música faz uma nota longa, ela ondula com esta nota como os brotos de bambu ao longo das margens do Nilo, ondulando com a força da brisa. Mas se a música tem pequenos sons acelerados, ou mesmo tremidos, ela faz o shimmie acompanhando. O bambu também é chamado de Oud, de onde vem o nome da introdução do Taqsim assim como também é usado para o instrumento Oud. É por isso que também é chamado de AWWADY. Esta parte é como um Mawwal (canto livre, nostálgico e não-rítmico) de um instrumento.




Part II
Mas veja bem, a platéia que ver toda a dança de Zeinab. Então, quando o gelo começa a ser quebrado, o ritmo é introduzido pouco a pouco novamente. Como isto é feito? O Taqsim dissolve-se e volta à sua escala de abertura (a escala musical volta ao início) então os instrumentalistas fazem um jogo de pergunta e resposta com os percussionistas. Tanto as perguntas quanto as respostas cabem em uma barra do ritmo na mesma velocidade como se e quando elas continuassem, os músicos tocassem juntos, mas em um estilo de pergunta e resposta. A melodia toca em 2 e 3 – então a percussão toca em 4 e 1, POR QUATRO TEMPOS ou por oito tempos, brincando alegremente e incitando Zeinab a dançar com mais e mais ritmo, até que eles sentem que tudo está bem no que se refere especialmente ao Querido (Hubby)... o LEÃO de todos os LEÕES, e então eles iniciam um ritmo Maqsoum contínuo. Esta parte de perguntas e respostas é chamada Me-Attaa. Significa quebrar pequenos pedacinhos da música e do ritmo.
Uma vez que o ritmo esteja estabelecido, e agora Zeinab está dançando, mais ainda de forma conservadora mas com um pouco mais da sensualidade que lhe é reservada e um toque feminino pessoal. Mas, como então os músicos percebem que tudo está bem, após um pouco mais de tempo eles iniciam um tipo diferente de perguntas e respostas – Me-Attaa. É um pouco mais veloz e indica uma possibilidade da chegada de um ritmo ainda mais rápido.
-6-
Então eles entram em um Maqsoum acelerado. Neste momento, Zeinab está livre de todas as inibições e, que diabos, é o casamento de sua própria irmã, e ela sabe que está provocando seu marido que fica totalmente frustrado, silencioso e atado loucamente como se nada estivesse acontecendo... Mas ela também conhece a doçura da corda com a qual está atando-o a seus pequenos e delicados dedos... então chega a hora do ÚNICO PASSO DE DANÇA QUE É VERDADEIRO E TRADICIONAL, CONHECIDO POR TODAS AS MULHERES EGÍPCIAS, O BALANÇO DOS QUADRIS (por favor observe o artigo de Hossam na Habibi Magazine, está bem explicado ali). E o casamento se incendeia em um fogo bem-aventurado. Nesta parte, os músicos tocam uma canção saudosa do folclore egípcio, o som dos Mizmar... Isto soa como acentos em 2 e 4:
4/4
1
2
3
4
|
1
2
3
4

Tiit
Toot

Teet
Teit
E assim por diante. Esta parte da música é chamada TET. 


Isto pode prosseguir por algum tempo, mas enfim teremos que voltar para o mundo das PESSOAS BALADI, não é? Isso quer dizer voltar para as raízes, o lado caipira, as fazendas e vida no campo, o estilo Fallahy de viver, então voltamos a um outro Me-Atta, mas estas perguntas e respostas diminuem gradualmente de modo que você pode PUXAR o ritmo FALLAHY para um rápido Maqsoum (Puxar, em egípcio, é Magrour) o que é, em essência, o ritmo Fallahy.


Neste ponto, elas normalmente fazem a Andada Egípcia (para os ocidentais, Andada com Shimmy). O TET também pode ser tocado com o Fallahy.

E então chega, agora você já viu tudo, e vamos encarar,o querido está sorrindo tanto e fingindo que ele não está com nenhum ciúme. Como os músicos são os culpados por as coisas terem chegado neste ponto enlouquecido de dança e música (na mente de Zeinab e nas justificativas para seu marido), eles devem acalmar as coisas gradualmente ou as pessoas ficarão muito enlouquecidas se eles pararem de repente, então eles diminuem mais e mais e mais a música até voltar para o Taqsim Awwady original, e um final gentil. É assim que e porque uma mulher BALADI dança o Baladi.


Isto tem sido incorporado e repetido em palcos em quase todas as casas noturnas por causa da necessidade de haver variedade nos programas destas casas. Você pode se perguntar o que, então, é dançado nos CABARÉS. Basicamente, é o RAQS SHARQI. Nas casas noturnas eles fazem um pouco de introdução SOFISTICADA na música, e se dança usando uma roupa de duas peças, como uma mulher Baladi jamais seria vista usando, pois é uma coisa SHARQI. [[[[Muitas pessoas confundem chamando aquilo de roupa estilo clássico, mas não é. Esta é uma idéia relativamente nova que chegou por meio das casas noturnas, e é governada pelas leis do quanto mais pode ser exposto e mostrado pelas assim chamadas “dançarinas de Raqs Sharqi”, que se tivessem chance naquela época, teriam mostrado ainda muito mais do que você pode imaginar]]]] então elas saem do palco para trocar esta roupa pela peça única chamada THOUB (vestido, o que as moças Baladi usam) para fazer um número Baladi ou de algum outro folclore, e então outro Baladi ou Saaidi, e então Baladi, tudo leva ao Baladi. Então o solo de percussão e a saída.

Verifique qualquer gravação de música Baladi, de qualquer músico ou em qualquer CD ou vídeo e veja como isto realmente se aplica, mas agora você sabe a ração do porquê eles inventarem isso e como ficou assim.
Se você me perguntar quem é a melhor dançarina de Baladi em todo o Egito hoje, a resposta é simplesmente LUCY. Antes era a Senhora Nagwa Fouad, e a frase, El Baladi Youkal, é uma coisa que os vendedores ambulantes gritam para vender suas próprias produções, e significa que Baladi é ótimo... e assim também é ZEINAB. Palmas para Zeinab

Com muito ritmo
Hossam Ramzy
.
 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Linha de Pesquisa de Yasmine Amar

          Chegar numa linha de pesquisa em Cultura Oriental e Danças Étnicas fez parte de uma trajetória desde quando fazer parte do fenômeno "Belly Dance" deixou de satisfazer minha ânsia pessoal por compreensão desta vasta Cultura que resumiram em chamar "Dança do Ventre".
          No site Wikipédia, a definição do que é Dança do Ventre trouxe para mim inúmeras indagações:

"A dança de ventre é uma famosa dança praticada originalmente em diversas regiões do Oriente Médio e da Ásia Meridional. De origem primitiva e nebulosa, datada entre 7000 e 5000 a.C,seus movimentos aliados a música e sinuosidade semelhante a uma serpente foram registrados no Antigo EgitoBabilôniaMesopotâmiaÍndiaPérsia e Grécia, e tinham como objetivo preparar a mulher através de ritos religiosos dedicados a deusas para se tornarem mães. Com a invasão dosárabes, a dança foi propagada por todo o mundo. A expressão dança do ventre surgiu na França, em 1893. No Oriente é conhecida pelo nome em árabe raqṣ sharqī (رقص شرقي, literalmente "dança oriental"), ou raqṣ bládi (رقص بلدي, literalmente "dança da região", e, por extensão, "dança popular"), ou pelo termo turco çiftetelli (ou τσιφτετέλι, em grego).
É composta por uma série de movimentos vibrações, impacto, ondulações e rotações que envolvem o corpo como um todo. Na atualidade ganhou aspectos sensuais exóticos, sendo excluída de alguns países árabes de atitude conservadora."
  
          A primeira questão que pairava em minha mente: porquê esta dança ganhou uma conotação de apelo sexual tão forte nos países árabes.  A segunda questão é com relação aos países de suas raízes, como era dançada em cada um deles. Esse era somente o início de uma jornada em busca do estudo das Danças Orientais que me levaram a compreender que a Dança do Ventre é apenas uma delas e que o Oriente não se resume ao Egito.  
 
Yasmine Amar em 1998
       Meu estudo da Dança do Ventre começou em 1994 mas foi somente em 2006, depois de ter vivenciado o fenômeno Belly Dance, tendo inclusive recebido convites para trabalhar em países árabes, incluindo Egito, e de ter optado em não aceitar, depois de ter dançado na maior Casa de Chá do País, tão almejada por tantas bailarinas, depois de tantas vivências que iniciou minha jornada de estudo em Danças Orientais e Étnicas. De 2006 a 2013 (ápice dos estudos) foram 7 anos. A jornada iniciou pela Música. Não teria como acontecer diferente. Não tem como ser uma estudiosa da Dança Oriental se você não for uma profunda estudiosa da Música Oriental, ambas estão conectadas de uma maneira única, especial. Mas esse foi somente um início.  Eu queria mais. Eu queria entender a tal conotação sexual atribuída à Dança, sua origem e se existia uma dança realmente livre desta conotação, qual seria. Queria entender o porquê dos movimentos desta dança. Os workshops no mercado não me traziam respostas. Sequências pré-fabricadas, passinhos de efeito, pernas pra cá, cabelos pra lá, tudo muito erotizado, tudo muito comercial, voltado para o mercado do entretenimento, para agradar meia dúzia de pessoas,pouco artístico, significativo e cultural, era essa minha percepção da Dança, mesmo com algumas belíssimas exceções. Você pode não enxergar assim, mas era assim que eu percebia. Então fui estudar desesperadamente as dançarinas da Era Dourada Egípcia. Foi bastante esclarecedor, mas ainda não me trouxe todas as respostas, uma vez que essas dançarinas também se afastaram de sua Cultura para vender uma imagem no Cinema. Mas foi no estudo destas dançarinas que consegui um novo significado para minha dança, consegui esvaziar o excesso contaminado pelo ocidentalismo exacerbado e sua intensa escravidão em preocupar-se com a opinião dos outros e encontrar, além da conexão com a música, mais aprofundada, os toques orientais que eu buscava. 

Raíces
2011
Foi em 2011 que surgiu o primeiro projeto dessa nova fase de minha carreira e seu nome foi Raíces. Um espetáculo que foi apresentado no SESC Arsenal, em Cuiabá/MT, mesclando as influências árabes e flamencas da Dança Oriental. Foi um espetáculo basicamente de Cultura Espanhola e Egípcia. Ou seja, ainda não tinha as respostas que eu buscava. Naquele conceito da Wikipédia falava que além do Egito, essa dança existiu em muitos outros países, teve início a continuidade da busca. Eu queria entender mais sobre isso. Então foi em 2013 que eu pude me deparar com essas respostas, através de uma oportunidade de estudar com uma grande mestra, estudiosa da Música, Dança e Cultura Orientais, que reside atualmente na Itália mas é de cidadania ítalo-brasileira, Yasmin Nammu. A Yasmin me mostrou uma "miscelânea" (termo que ela utiliza). Me mostrou acima de tudo que Dança do Ventre não se resume ao Egito. Foi aí que nasceu o "Sirocco", consolidando um estilo, uma maneira de dançar e sentir que finalmente ia de encontro com minha alma.  Sirocco foi meu primeiro espetáculo multiétnico. Em seu roteiro haviam danças da Índia (Rajastão), das ciganas Kalbelyas, danças Andaluzas Antigas, Flamenco, danças nômades, e, especialmente, a Dança Oriental estava finalmente assumindo traços que satisfaziam minha alma. Os figurinos do grupo passaram também a sofrer influências da pesquisa, sendo muito mais orientais e distantes do modismo Bellydance. No nosso novo projeto em andamento, mais elementos étnicos estão sendo incorporados e incluem danças ciganas de vários povos, inclusive o Turkish Rom, da Turquia e as influências da Dança Persa. A proposta é étnico e cultural. Não tenho interesse em formar "Belly Dancers" mas em ter um grupo estudioso, curioso, que goste de tocar instrumentos como sagats, duffs, que aprecie esse estudo diferenciado. figurinos étnicos e dançar as Danças Orientais e que estejam decididas em aprofundar seus estudos culturalmente. 
       Fizeram parte dessa minha jornada 4 grandes profissionais, sem os quais eu não teria chegado até aqui e talvez tivesse definitivamente abandonado esta Dança uma vez que não satisfazia mais a minha alma:

1) Triana Ballesta - a Triana eu tive a oportunidade de conhecer como aluna, mesmo ela não tendo iniciado seus estudos em Dança comigo, tivemos uma grande identificação e ela tornou-se bem mais que isso, uma amiga pessoal e parceira de idéias, estudos e projetos. Foram incontáveis horas de debates e estudos juntas  e o que  aprecio nela são tanto as diferenças como as semelhanças de nossos projetos (e ambas não são poucas). São nas diferenças que surgem os questionamentos e o estudo passa a ser muito mais fundamentado e enriquecedor. Foi lá, em 2006, quando eu ia desistir da Arte Oriental, que ela chegou, dando ouvidos às minhas utopias e angústias e compartilhando as dela comigo, surgindo o impulso, a busca e o olhar diferenciado. Não teria chegado até aqui sozinha, sem a ajuda dela, o apoio mútuo. E poder acompanhar seu desenvolvimento de estudos, após realizar os workshop´s e a Imersão com Hossam e Serena Ramzy, atingindo um padrão artístico elevado, poder trazê-la para compartilhar comigo e minhas alunas esse saber, foi mais que um prêmio, foi gratificante e enriquecedor!

2) Maurício Mouzayek -  um professor generoso, um profundo conhecedor da música Oriental mas, acima de tudo, da Arte de ensinar. Na simplicidade de sua maneira de ensinar, a complexidade de um estudo que parecia antes inatingível, a compreensão ampla que eu precisava da Musicalidade Oriental.
3) Michelli Nahid - A "musa" como eu e Triana costumamos chamá-la, ela foi a grande inspiração que levou à busca incessante. O contato com o o DVD "Tempos" me fez desacelerar, buscar um estilo e uma compreensão musical. Estudar com ela e com Maurício foi uma realização incrível pois pude ter contato de perto com a maneira artística como ela expressa sua dança, a limpeza de linhas e musicalidade impecáveis, a doçura , feminilidade e ética  de uma grande mestra.

4) Yasmin Nammu - Finalmente, minha busca encontrava respostas e uma diretriz, uma ampliação, estilo e Arte. Foram duas imersões. Uma intensidade que não tenho como descrever. Ainda organizo a cada dia o tanto que pude receber naqueles dias. Foi tanto que não dei conta emocionalmente de processar ainda. Compreendi nas imersões que a Dança Oriental vai muito além da técnica. É a Arte do Feminino, um estilo de vida. Livros, músicas, estudo integral, corpo, yoga, vida, alimentação e a Natureza, que cura e acolhe. É conteúdo pra esmiuçar nas próximas décadas. Foi o divisor de águas, compreendi o processo criativo, como está entrelaçado com o que vivencio e percebo e, a cada dia, minha percepção se amplia. Não vejo fim, vejo que é ilimitado esse processo. Ao voltar da segunda imersão, de imediato compus um espetáculo, o Sirocco em uma semana. Em seguida, engajei no atual projeto ao qual me dedico, e com muita tranquilidade consigo fluir em vários projetos. As amarras que me prendiam foram rompidas, as asas da borboleta foram curadas e agora é só voar. Eterna gratidão ao Universo por permitir esse encontro.
E finalmente, quero agradecer imensamente às minhas alunas. Elas me motivam a criar mais pois sem compartilhar em grupo todo esse aprendizado não teria sentido! Vocês são dedicadas, maduras e estudiosas, agradeço à carta de confiança que dão ao meu trabalho como professora e coreógrafa, mas, acima de tudo, como amigas por estarem sempre presente em todos os momentos.
  

Finalizando, é importante salientar que não quero desmerecer o Bellydance Moderno nem tampouco as grandes mestras que tive antes de iniciar esta jornada, apenas que foi uma escolha pessoal e se relato neste artigo de Blog é porque acredito que possa trazer algumas respostas a pessoas que anseiam pelas mesmas buscas. 

Toda Arte é válida, bela e merece ser sempre enaltecida e reverenciada! 


Gosto de apreciar a evolução do trabalho artístico na minha cidade e em tantas outras sempre procurando ver o belo e o quão magnífica é a Arte Oriental que acolhe como útero de mãe tanta diversidade!

Muita PAZ!