sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Meu Processo de Desconstrução e Reconstrução na Dança Oriental - Meus Caminhos em Busca do Estilo Pessoal


Yasmine Amar - dezembro de 2012
         
          Hoje venho compartilhar com vocês um pouco do meu processo em busca de uma identidade na Dança Oriental, um estilo oriental e musical. A intenção não é propagar verdades absolutas nem regras uma vez que já tem muita gente fazendo isso por aí com muito mais propriedade. A idéia é levar até você que está lendo agora, um pouco dos estudos que me impulsionaram na Dança, especialmente nos últimos anos, me trazendo um bem estar imenso e realização como dançarina e professora.
          A Dança Oriental ,  é um patrimônio da Humanidade - só falta ser tombado pela UNESCO, como foi o Flamenco. Ela é uma Arte completa que cativa milhares de pessoas por todo mundo, cada dia mais e mais culturas se curvam diante a beleza desta Arte. Dada a essa dimensão é muito difícil padronizar uma forma só de dançar. Há várias maneiras belas de se expressar através dessa Cultura. Umas mais outras menos orientais.
          Comecei a dançar já em idade adulta, aos 21 anos. Foi na maturidade pessoal e artística que surgiu a crise com a Dança, mais exatamente em 2007, aos 35 anos. Eu estava com 14 anos de Dança, tinha realizado um bocado de coisa, conquistado muita coisa que as pessoas vivem buscando, inclusive selos, padrões, um respeito considerável na minha região, em outros estados e alunas fiéis e dedicadas. Mas eu não estava satisfeita. Alguma coisa me incomodava  na Dança Oriental. Uma delas era o fato de, a cada ano, surgir um novo modismo que derrubava todos os outros. Comecei a questionar os porquês dessas mudanças bruscas.  Começava a questionar os porquês das tendências e modismos e a ficar cada dia mais insatisfeita com minha dança e com os rumos que estava dando a ela. Cheguei a fechar meu Espaço Cultural e tentei dar um tempo. Bom, fechar o Espaço foi fácil, muito fácil. Dar um tempo foi mais difícil do que eu imaginava porque um espaço físico é apenas um espaço mas a Dança envolve algo muito maior que tudo isso: pessoas. E foram as pessoas que não me deixaram parar. Elas me ligavam, escreviam, elas se manifestavam diariamente e expressavam a importância da Dança na vida de cada uma delas, a minha importância com Educadora dentro desse processo. E la estava eu, ciganeando em meio a conflitos artísticos.  Até que um dia um DVD caiu em minhas mãos.  Quando assisti aquele DVD, foi como se reacendesse toda a paixão pela Dança que existia em meu ser, pela Dança Oriental que eu havia conhecido através das grandes mestras, as maiores que já existiram: Soheir Zaki, Nagwa Fouad, Samya Gamal, Taheya Karioka, Naima Akef, Nádia Gamal. Esse DVD chama "Tempos" e foi produzido pela bailarina Michelli Nahid, casada com um músico, Maurício Mozayek, com quem eu tive a alegria de fazer aulas posteriormente. E você também deve estar se perguntando, mas afinal de contas, porquê essa insatisfação com o toque ocidental que a Dança vem ganhando?

A resposta eu fui descobrir com estudo. O porquê essa dança mais moderna e com tantas influências artísticas modernas não me satisfazer acredito que tenha haver com minha busca, o que é pessoal, uma questão de identificação. veja bem, não é uma crítica à roupagem Moderna da Dança Oriental, é apenas minha busca pessoal.

E o que esse DVD tem de tão especial? Que força é essa que me fez saber que eu tinha um caminho a percorrer ao encontro dessa Dança que meu Eu ansiava?
A diferença na dança dessa bailarina é basicamente a predominância dos movimentos orientais e, acima de tudo, a Musicalidade.  Parece simples né? Quem pensa que foi fácil assim, como estalar de dedos se engana.  Não foi tão simples. Não se é tão simples quendo se tem 14 anos de estudo, você esvaziar para preencher novamente, desconstruir para reconstruir.

É um ato de desapego. Abandonar aquela ânsia por quantidade e mudanças - tão típicos do mundo ocidental - e permitir-se viajar pela delicadeza de uma flauta com movimentos de mãos. Na verdade, ainda me considero em total processo, e ávida por conhecimentos nesse âmbito. Me sinto exatamente quando comecei a dançar, só que desse vez com um rumo, uma direção e encontro a uma Dança que venha satisfazer a pessoa principal nesse processo: eu mesma. Sim, já havia conquistado platéias, alunas, mas eu não estava feliz. O primeiro passo havia sido dado. Eu já sabia o que queria para minha Dança. Já sabia o estilo de coreografia, estilo de música, estilo de movimentos e estilo de Leitura Musical eu almejava alcançar.  Era só o primeiro passo de uma jornada.

Desaprender alguns modismos que havia assimilado sem saber o porquê, apenas porque fazia alguns cursos e ouvia dizer "é o que se usa", "no Cairo agora a moda é essa", "nos EUA a onda é essa" e por aí vai.  Esvaziar a alma, a mente, abrir os ouvidos e o coração para ouvir a música verdadeiramente e transpirá-la em meus movimentos. Eu estava pronta. A partir do momento eu que eu havia me apaixonada novamente pela Dança Oriental, que eu havia tomado a decisão de encarar essa busca, sabia que era questão de tempo para encontrar os métodos e as respostas. Não estou entrando no âmbito de apontar minhas escolhas como corretas e os modismos citados como incorretos. Na verdade não existe certo e errado nos domínios da Arte. Apenas encontrei a minha verdade, o que me preenche como estudiosa, como bailarina e como artista num sentido bem amplo da palavra.

Comecei meus estudos. Primeiro passo, foi selecionar os vídeos que não queria mais utilizar como referência e os vídeos que eu necessitava assistir e estudar.  Tendo feito isso, comecei a selecionar as músicas e os arranjos que permitiam colocar em cena esse conteúdo todo.  Sim, mesmo peças bem tradicionais quando em arranjos pobres perdem a possibilidade de uma leitura musical apurada, que é o que eu buscava agora. Em seguida, os movimentos que permitiam executar a música e daí entrou minha ânsia pelo Oriental, sem desmerecer as fusões, mas elas não me saciavam a sede de oitos, camelos, shimmies e cia.  O corpo precisava ser trabalhado pois essa Dança Oriental mais antiga, exige uma elasticidade de movimentos muito maior, uma vez que há uma repetição dos mesmos e precisam estar de acordo com o som e bem amplos no corpo para poder executar a música fidedignamente. 

Afinal, quanto mais aguçamos a percepção musical, mais necessitamos do corpo para traduzir minunciosamente essa riqueza que reside na música árabe.

Do momento em que decidi revisar meus estudos de musicalidade, assistir aos vídeos até o dia em que eu tive a oportunidade de fazer o curso de musicalidade com a Michelli, muita coisa foi construída. Mas não bastava construir. Era preciso colocar abaixo toda uma base. Desapegar de uma dança que eu aprendi com pessoas muito queridas - eis a dificuldade. O desapego. Eu havia feito a escolha. Além de ser minoria, a grande maioria se inspira nas estrelas do Cairo atuais, nas russas, americanas, argentinas e etc Além disso, eu tinha que deixar ir embora muitas referências nas quais existem muita afetividade.  Não foi somente a forma de ouvir a música que mudou, mas as linhas corporais, a forma de executar os movimentos e as posturas cosporais assumidas nas leituras , especialmente dos taksins.
Como desconstruir?
Como desapegar-se?
Posso dizer que é um exercício muito mais interior. Mas passa também pelo corpo. É preciso despir-se de um estilo completamente para absorver o outro sem vícios.
É longo o processo, eu iniciei em 2006/2007 e agora que estou numa fase onde meus vídeos começam a me agradar.
 
A experimentação musical iniciou-se por Mohammed Abdel Wahab, passou a Abdel Halim Hafez, Farid El Atrash e atualmente, estou descobrindo o compositor egípcio Baligh Hamdi.
 
A medida que aprofundo o estudo dos movimentos e das músicas, vislumbro um Universo maior a ser desvendado. Na verdade, esse processo de reconstrução é muito mais prazeroso e fácil do que o de desconstrução. Quando você inicia um estudo musical da Dança,  entregar-se a nobre Arte de mostrar ao público a Música, é algo que te afasta completamente do ego. Não há espaço para o ego no momento da Dança. A necessidade de sentir a música e colocar-se como um instrumento que vai mostrar ao público a beleza e riqueza da Música Oriental, preenchem toda sua alma e toda sua mente no momento da Dança. É um processo de autoconhecimento contínuo. Quando estou em cena preocupada com a obra musical, me esqueço completamente quem sou. Apenas ouço e danço! E isso é facinante! 
Atualmente, estou adentrando a fase de ensinar o que aprendi, esse encantamento pela música Oriental, com toda sua complexidade. Torná-la mais próxima dos nossos ouvidos ocidentais.  Também estou me dedicando a  criar coreografias para grupos com essa riqueza de detalhes em leitura musical.
É um processo lento. É muito mais rápido "formar" uma dançarina lendo superficialmente a música e focada em passos de efeito e sequências da moda do que formar uma estudiosa da Música Árabe. Demanda tempo, estudo, demanda entrega.
Mas é gratificante!
Nesse processo todo, a gratidão preenche minha alma.
Gratidão aos compositores por criarem peças tão divinas, aos músicos por executarem essas peças com tanto amor, à dançarinas da Era Dourada do Egito, a todas as dançarinas que possuem  respeito a musicalidade e compartilham essa sabedoria.
O que me espera nesse processo? Tudo!
Começo agora a sentir liberdade para criar me envolvendo cada dia mais e mais, e apaixonadamente pelo que sempre me motivou a Dançar: a Música. Sem medo de errar porque todo conteúdo de movimentos da Dança Oriental já está internalizado, não há que se inventar. As variações surgem a medida em que a música pede e não há erro quando se tem segurança com o que se ouve.

É importante salientar que eu bani o total improviso da minha dança. Não que não seja bacana improvisar. Mas não o faço mais publicamente. Agora só danço quando tenho a música completamente interiorizada caso contrário, a probabilidade de desprezar sua essência é grande e não quero mais cometer essas gafes. Claro, há exceções, afinal de contas, a arte da flexibilidade corporal devenos levar também a uma flexibilidade de alma.

Respeito e tenho profunda gratidão a todas as pessoas que foram minhas mestras.
Quero salientar, que eu louvo minhas bases e admiro essas profissionais, que foram minhas mestras eternamente. Tenho carinho pelo que elas representam na Dança principalmente por dedicarem suas vidas a Dança, a ensinar, a cuidar das pessoas com tanto amor a ponto de se tornarem tão imprescindíveis.

Mas acredito que toda dançarina chega um dia que, ou se econtra totalmente onde já está ou busca algo que a faça se encontrar. Esse além poderia ter sido um estilo mais moderno, poderia ter sido um Cabaret Vintage, ou um tribal.

Mas foi a musicalidade e o estilo "Golden Age" - se é que precisamos de um título para designar o que eu simplesmente conheci como sendo - Dança do Ventre.


 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A dançarina (Almiro Andrade)

Este poema foi escrito por um grande amigo.
Uma sensibilidade incrível, foi escrito em 1996, quando eu ainda era uma jovem dançarina; hoje, na maturidade desta Arte, ainda me identifico plenamente com suas palavas.
Minha alma e vida de dançarina em palavras, pelo talentoso poeta! 
Preservei os negritos e a grafia original tal e qual me foi enviado.




A dançarina  
(Almiro)

Qual a longevidade da vida
curta se lhe parece mortal
com traços definidos
limitou seu passado
e de volta ao presente
de presente
seu mundo caiu
As mãos soltas no espaço
em movimentos sutis
revelou traços de alegria
E a entendem assim
Não sabem porém
que apenas consolam
o que há dentro de si
No seu próprio ritmo
fez da dança a evolução
Se entregou como parte
e partistes sem nada dizer
Agora nada mais
Sem ti, sem ninguém
O compasso da música
na disputa se transformou
Qual a longevidade da vida
curta se lhe parece mortal
Entendeu o Inevitável 
Mudou o cenário
A platéia atenta
se contenta
contempla a emoção
Não viram a mudança
Perdem-se na fantasia
Suspiro
As mãos tocam o chão
O silêncio ecoa
Terminou?
Explode-se de novo na dança
e gira sorrindo
Vê a vitória surgindo
O Adversário reconhece
abençoa a decisão
O espetáculo se eterniza
Qual a longevidade da vida
agora se lembra
"Sou imortal"

 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Yasmine - A Sensual Dançarina Oriental por Aurelia Hardy

O texto abaixo é do livro "Dançarinas do Mundo" de Aurelia Hardy e a ilustração é de Sybile




Meu nome é Yasmine e eu vivo no Cairo, capital do Egito, o país das pirâmides e dos faraós. Eu sou uma dançarina do ventre, e é aqui, no Egito, que as melhores dançarinas do ventre podem ser encontradas. Como eu posso falar sobre minha dança sem mencionar que a Dança Oriental é certamente a mais sensual de todas? Ela glorifica o corpo da mulher, lisonjeia sua feminilidade e a faz ficar muito bela... Eu estou preparando uma apresentação que é baseada em As Mil e Uma Noites. Pela primeira vez, nós vamos dançar no sopé das pirâmides. Alguém poderia imaginar um cenário mais esplêndido? Eu fui escolhida para atuar no papel de Shehrezade.
O figurino, que é feito de tecidos leves e macios, com cores brilhantes e bastante enfeitados com lantejoulas, transporta os espectadores para um muno de encantamento. Minha roupa tem vários tons de roxo e inclui um top bordado com fios de ouro e prata e uma saia de cintura baixa feita de musselina leve e transparente. Em volta do meu ventre podem-se ver delicadas correntes. Quando eu me movimento, os suaves sons metálicos das centenas de lantejoulas balançando me acompanham na dança. Esta noite, estou encenando essa legendária princesa que foi a única mulher que conseguiu cativar um cruel sultão graças ao seu dom de contar histórias e sua encantadora beleza. A música das percussões, dos alaúdes, violinos e flautas, com suas notas que remetem ao eterno Oriente, enche meu corpo de ar e inspira até o meu menor movimento. A música entra em mim e cada parte do meu corpo se move em sua própria nota. O ritmo acentuado das darboukas*, os tambores de mão, regem o movimento dos meus quadris que se movem em ondas lentas e lânguidas e depois em movimentos rápidos e bruscos, enquanto meus graciosos e flexíveis braços ecoam as encantadoras melodias das nays*. Meu corpo treme com o som dos ouds*; que começa em meus joelhos e sobe por minhas pernas até o meu quadril. Enquanto as tremulações percorrem o meu corpo, eu me movo graciosa e suavemente, acompanhando o ritmo e o movimento dos sagats*. A magia da dança tem seu efeito; o público é cativado sob seu encanto...

* darbouka: instrumento de percussão oriental
* Nay: uma flauta oriental
* Oud: o precursos do alaúde
* Sagats: minipratos de metal  que são mantidos entre o polegar e o dedo indicador

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sagats (snujs, zills, finger cymbals)

Núcleo Cultural Yasmine Amar - Dia Internacional da Dança
SESC Arsenal 2012








"No Egito, numa cidade chamada Bubast, as sacerdotisas costumavam uma vez por ano descer até o rio Nilo, durante os festivais que reverenciam as deusas femininas, para cantar, queimar incensos e tocar sinos que mais tarde foram substituídos pelos sagats. O som desse instrumento era para invocar a deusa Bastet, protetora das dançarinas e das mulheres que cuidavam de crianças pequenas. Acreditava-se que a bailarina purificava o ambiente ao dançar com os sagats."


A origem é bem remota. No entanto, no Egito, desde as dançarinas gawazee, bem mais recente, a utilização dos sagats é muito comum. Muitas delas tocam levemente, mas utilizam o instrumento para compor sua dança. O que pode ser observado em vídeos das dançarinas da Era Dourada (Naima Akef, Samia Gamal, Taheya Karioka), bailarinas que marcaram a transição entre a dança gawazee e o que conhecemos hoje por Raqs El Sharqi.

A Utilização


Os sagats não estão no mesmo patamar do derbake, doholla, duff, etc , ou seja, apenas acompanham a percussão de linha tornando-a mais alegre e envolvente. Por isso, especialmente quando utilizados pela dançarina, sua utilização deve ser simples, descomplicada e fluida.


O Toque dos sagats pela BailarinaDançarina

É importante sabermos dois conceitos:


1- Vibração Sonora de uma Nota: é a durabilidade sonora da nota dentro de uma frase rítmica (batida)

2- Acentuação Sonora de uma Nota: é a nota que possui toque mais forte tornando-a mais nítida dentro da frase rítmica.


No caso do toque dos sagats, não há necessidade de você demonstrar a acentuação sonora na leitura dos "DUMS", pois os instrumentos musicais de linha estarão fazendo isso. Portanto, quanto mais natural e espontâneo for o toque, melhor. Também não há necessidade de serem tocados durante toda a peça musical. É importante sentir a música e perceber os melhores momentos para tocá-los.

No entanto, por não estarem os sagats no mesmo patamar da percussão (derbake-doholla-duff), não há necessidade dessa preocupação com acentuação sonora, mas sim, com vibração sonora. Essa preocupação, muitas vezes, só dificulta o aprendizado fazendo a dançarina desanimar e acabar desistindo de tocar sagats.

Para que você desenvolva sua habilidade e, acima de tudo, sinta prazer em tocar os sagats em sua dança, é preciso que haja maior entrega e o aprendizado em ouvir a música, em primeiro lugar.

Conhecer os principais ritmos árabes facilitará sua percepção e treinar o toque dos sagats ao som de base rítmica é fundamental para então partir para seu estudo em peças musicais.

A Utilização dos Sagats no Ensino da Dança Árabe

Eu, particularmente, gosto de utilizar os snujs para introduzir conceitos musicais, especialmente a percepção rítmica, às minhas alunas.


Atualmente, estou experimentando introduzir o estudo dos sagats já na iniciação da aluna em Dança Árabe, pois facilita no aprendizado da musicalidade como um todo.
No entanto, não há uma regra e você pode desejar dominar mais os movimentos corporais para adentrar no estudo desse instrumento musical que requer bastante coordenação motora fina e percepção rítmica.

A dica principal para tocar sagats é: treine

Você não vai aprender a tocá-los deixando-os na gaveta.

Qualquer metodologia é inútil se não houver dedicação e treinamento. E vale tudo: fazer diagonais com deslocamentos e toques ou simplesmente caminhar pela casa tocando alegremente e fazendo música com os dedos!
Aprecie!
Divirta-se e encante a todos com a musicalidade que pode emitir com os sagats!



domingo, 4 de dezembro de 2011

Dança do Ventre - sabendo o que estudar para prever onde se quer chegar com a Dança


Devido à gama de possibilidades que a INTERNET oferece, há muito material disponível nos sites de vídeos, blogs e redes sociais.
No entanto, há uma questão que deve ser alvo de reflexão: como selecionar material para estudo e orientar nossos estudos em Dança Oriental e como estudar esse material?
Não é tão simples quanto parece.
Primeiro você precisa ter em mente o que você quer com sua dança.
Você pode fazer a dança por mero passatempo, hobby e portanto deixar nas mãos de sua professora/coreógrafa decidir o estilo que vai seguir.  Ou, você prefere não estar ligada a um grupo e estudar sozinha, definindo o que você quer para sua dança.
Em ambas as hipóteses, você vai se deparar com vários caminhos.
E é sobre estas possibilidades que trata esse post.
O propósito deste post é falar sobre as minhas escolhas de estudo pessoal e do grupo que eu coordeno, e como cheguei até estas escolhas e como descartei outras opções ao longo de quase 20 anos de estudo das Danças Árabes. Realmente  não tem como estudar coisas opostas -ou você opta por uma Dança Árabe com interpretação Oriental ou opta por uma Dança Árabe com interpretação Ocidental.
Primeiro passo, que eu considero fundamental a toda pessoa que pretende estudar esta Arte com seriedade: saber de onde viemos para definir para onde vamos.
Trata-se de conhecer as raízes, as origens da Dança e da Música Árabe.
Ou seja, conhecer e estudar as principais dançarinas da Era Dourada (décadas de 50, 60 e 70) bem como os Músicos desta mesma Era. Sem esse primeiro passo bem solidificado - um estudo sério e detalhado de movimentos e musicalidade - você fica refém de modismos.
Não tem como estudar a Dança Árabe sem estudar a Música Árabe com suas características fundamentais porque uma está intrincicamente ligada a outra. Senão, corremos o risco de ler e interpretar a música oriental como ocidentais (o que tem acontecido muitíssimo em nosso País).
Conhecer a música árabe, sua estrutura (melodia, ritmo, percussão) e como interpretar cada elemento. Conhecer os instrumentos árabes e como podemos traduzir em termos de movimento, cada som, dentro de um estilo egípcio. Eis o primeiro passo.
É bem diferente do Jazz, por exemplo, onde você estuda os movimentos sequenciados e depois joga na música, na Dança Árabe isso torna-se um desastre.

Mas, voltando a falar da Dança Egípcia,  por onde começar?
Primeiramente , recomendo a obra destes quatro nomes, que pra mim, são os pilares de estudo de toda dançarina oriental que se preza:

1) Mohamed Abdel Wahab
2) Farid El Atrash
3) Abdel Halim Hafez
4) Om Kalthoum


Costumo dizer sempre em sala de aula: a música árabe é perfeita, ela é completa. As peças clássicas trazem exatamente tudo o que uma dançarina precisa. Basta saber ouví-las e interpretá-las dignamente.Ela diz para a dançarina o que ela deve fazer. Por que então nem todas fazem? Será que o ouvido ocidental não consegue ouvir além do ritmo? Ou será que estão tão preocupadas com as sequências prontas que esquecem que a música deve ser a base para sua performance?

Um músico que produziu uma série de cd´s "Best Of" destes grandes nomes, é Hossam Ramzy, com arranjos perfeitos para serem interpretados pela dançarina - eu recomendo e utilizo em minhas aulas.

Com relação a vídeos de Dança no You Tube, não tem erro se você seguir o mapa das dançarinas da Era Dourada. Procure por:

1) Samia Gamal
2) Nagwa Fouad
3) Soheir Zaki
4) Mona El Said
5) Aza Sharif
6) Taheya Karioka
7) Naima Akef
8) Nádia Gamal
9) Fifi Abdo

Agora vem a questão fundamental: como estudar este material?
Não basta assistir superficialmente. É preciso assistir e analisar como elas executavam os movimentos, como interpretavam e sentiam a música e , sobretudo, como faziam a leitura musical, ou seja, de que maneira elas demonstravam cada momento da música em seus movimentos- melodia, ritmo, percussão.
Porque há muitas pessoas que eu ouço falar: "Ah, eu estudo as dançarinas da Golden Age."
Mas não vejo nada destas bailarinas em sua dança. Então eu pergunto: como ela estuda? Será que estuda mesmo ou somente passa o olho pra desencargo de consciência?

Apesar da maioria dos vídeos serem antigos, muitos em preto e branco, é um material que contém a essência da Dança Árabe e deve ser assistido inúmeras vezes.


Dentro desta abordagem tradicional, há muito conteúdo a ser analisado.
Além de aprender a ouvir a música oriental, dentro de suas especificidades, a aluna vai ter que compreender o movimento, seu corpo a partir dessa cultura. E não adaptar essa cultura à sua expressão corporal ocidental. Eis um grande desafio. Há que se fazer um trabalho de dissociação das partes do corpo e consciência corporal pois sem um controle da musculatura dissociada, fica mais difícil expressar as sutis nuances da musicalidade oriental.









Esta é a maneira que eu estudo e conduzo as aulas, as coreografias e estudos no meu Núcleo Cultural. É muito importante deixar bem claro para a aluna que inicia seus estudos comigo para que ela não se sinta "enganada", pra que ela saiba qual abordagem, sabendo quais as referências de estudo que serão suas para desenvolver um estudo no Núcleo.


PAZ Profunda!
Yasmine Amar































quinta-feira, 30 de junho de 2011

Momento de chegar, momento de estar, momento de partir...

Na Dança como na Vida, é fato, é bíblico que há momento pra tudo.
O melhor momento é quando adentramos nos ensinamentos da Dança Oriental pelas mãos de nossa mestra (ou mestre). Que dia feliz! Eu diria até , inesquecível, pois assim foi para mim.
Nestes quase 20 anos de Dança, posso dizer que vivenciei de tudo um pouco no que diz respeito aos momentos de chegada e de partida ou permanência de alunas em minhas aulas e grupo.
Tenho uma aluna que é tão antiga, mas tão antiga, que eu falo que é quase um casamento, pois desde que me entendo ensinando ela está ao meu lado!
Mas tenho muitas alunas que deixaram muitas saudades, que de vez em quando aparecem pra fazer uma visitinha, e estiveram por longos anos ao meu lado e foram tão sábias na arte do nobre fechamento que deixaram um perfume de saudades no ar.
Outras, no entanto, não conseguirarm sair, romper o cordão umbilical com a mestra sem destruir o que de mais belo existia: respeito e admiração mútuos.  Isso acontece muitas vezes inconscientemente pela dificuldade da pessoa em lidar com os cortes. São pessoas que encerraram um ciclo de aprendizado com aquele mestre mas não conseguem desapegar e então, inconscientemente começam a "boicotar" essa relação, com atitudes e palavras, muitas vezes sem perceber este mecanismo.
A sabedoria milenar do Tao fala sobre a arte do nobre fechamento.
Convida todas vocês a refletir sobre essa sabedoria do tao quando fala da importância de sabermos identificar quando devemos ficar, sair ou voltar de determinado relacionamento, em especial, quando é o momento de escolhermos ficar ao lado de nosso mestre ou partir pra longe dele para seguirmos nossa jornada na individualidade.

"A mulher do Tao vive de perto a Natureza. Suas ações fluem do coração. Em palavras, são verdadeiras. Em decisões, são justas. Nas escolhas, têm noção do tempo." (TAO,8-1)

Devemos caminhar pela vida como viajantes e olhar as pessoas assim pois o que destrói a beleza da vida é o apego excessivo e desnecessário. E como é difícil esse exercício que o TAO nos convida.

Então o convite é para que todas nós, na Dança e na vida, possamos nos permitir sermos viajantes, sermos honestas consigo mesmas - e esse é um convite do TAO - e procurarmos sempre largar o velho antes de trilharmos o novo pois assim seremos nobres viajantes a praticar a arte do nobre fechamento em nossas vidas e levar sempre as mais belas recordações conosco!


muita PAZ


Yasmine Amar

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dança do Jarro

Folclore -Dança do Jarro


A Dança do Jarro é um folclore egícpcio que retrata o cotidiano das mulheres buscando água com seus jarros. Por ser um retrato do cotidiano, deve demonstrar leveza e espontaneidade.

Alguns passo típicos podem ser observados no vídeo acima.
É fundamental a bailarina executar o movimento desenhando infinitos no ar com o jarro, apoiar o jarro no ombro, na cabeça, segurando com uma mão. Abaixar como se estivesse pegando água no rio.

O ritmo é o felahi assim como o traje.