segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Olho de Hórus...os olhos e o olhar na dança







Olho de Hórus.




Lua, luz que brilha, irradia,

o amuleto para a visão total,

maquiando na força do universo

sentimentos e intuição real.



Oh! Doce beleza espiritual,

renasça em vôo indestrutível,

mergulhe n’alma, traz a visão,

a virtude e a providência vital.



Das Luas que posso contar, olhar,

embevecido ajoelho em céu azul,

mergulho no raciocínio lógico, fantasias,

vivo a força, a proteção em sua magia.



Egito descerra máscaras para a Lua,

eternamente presente na evolução

mergulhando em sensível elevação

vitória da visão, a busca da proteção.



Osíris e Isis dividem o Deus do Céu.

A embelezar o renascimento d’alma,

Indestrutível em seu poder real,

a cura, olhos no horizonte, mente no infinito.

(Flávia Angelini)
 





 
Dentre os significados deste símbolo e imagem da mitologia egícpia, o olho de Hórus simboliza os ciclos lunares: Hórus, tendo perdido seu olho na Lua nova, é depois reconstituído são e inteiro na Lua cheia. Assim, o Olho Uedjat se torna o sinal da plenitude recuperada, da força, do vigor, da proteção, da segurança, da integridade física e da boa saúde. RUNDLE CLARK, professor de História Antiga da Universidade de Birmingham, explica que o tempo da ausência do olho é a estação do medo e da inércia da vida. Um hino do Império Novo fala da Lua Cheia como o tempo das danças. Através de tudo isso percebe-se o temor do homem antigo pelo escuro e o alívio quando a Lua de novo brilha no céu noturno, ou o ritmo do calendário, da estação morta seguida pelo começo de um novo ano e sobre tudo isto, preside o olho.

Na dança do ventre , a força do olhar e sua utilização cênica é muito ampla.
Olhar por detrás dos véus, as mãos marcando o olhar, o olhar por sobre o ombro, o olhar oblíquo... A própria maquiagem árabe dá um destaque todo especial para o olhar.  A sensação de nos remeter a esse passado longínquo e, ao mesmo tempo, aconchegante. Por isso considero o momento de fazer a maquiagem tão importante. É um momento de meditar, de estar em contato com esse espaço interior ao qual os olhos no espelho nos remetem...

A Arte da Maquiagem e dos cosméticos é bastante ancestral e assim como outras artes ancestrais, possui também seus significados e simbologia próprios.




Nas aulas de Dança do Ventre, seria interessante que todas pudessem entrar em contato com essa prática antes de iniciar a aula.  Os resultados na expressividade e até mesmo motivação das alunas são bastante significativos. Não é preciso muita coisa... lápis preto, sombra cobre, rimel e batom e pronto!

 








Isadora Duncan

Na música há 3 tipos de compositores: primeiro aqueles que na música erudita fazem arranjos e buscam, através de seus cérebros, partituras refinadas e habilidosas que encantam os sentidos através da mente. Em segundo, aqueles que sabem como traduzir suas próprias emoções, tendo a música como meio, em alegrias e tristezas de seus próprios corações, criando uma música que desperta diretamente o coração do ouvinte, trazendo-lhe lágrimas pelas memórias evocadas, pelas lembranças vividas. Em terceiro há aqueles que subconscientemente escutam com suas almas uma melodia de outro mundo e são capazes de expressá-la aos ouvidos humanos compreensivelmente e de uma forma agradável.

Existem igualmente 3 tipos de dançarinos: primeiro aqueles que consideram dançar uma espécie de treinamento físico feito de arabesques impessoais e graciosos, segundo aqueles que, ao concentrar suas mentes, guiam o corpo na direção do ritmo de uma emoção desejada, expressando sentimentos relembrados. E finalmente, há aqueles que convertem o corpo numa fluidez luminosa, rendendo-a a inspiração da alma. Este terceiro tipo de dançarino entende que o corpo, dada sua alma, pode de fato ser convertido num fluido luminoso. A carne torna-se iluminada e transparente assim como é mostrada no raio-x - mas com a diferença de que a alma humana é mais clara que esses raios. Quando a alma, em seu poder divino, possui o corpo, converte-o numa nuvem luminosa em movimento e assim manifesta-se na sua total divindade. Esta é a explicação para o milagre de São Francisco andando sobre o mar. Seu corpo não mais pesado como o nosso, tão leve se transformou através da luz.

Imagine um bailarino que depois de longo estudo, oração e inspiração, tenha alcançado tamanho grau de entendimento, que seu corpo seja simplesmente a luminosa manifestação de sua alma; cujo corpo dança em acordo com a música ouvida interiormente, na expressão de algo vindo de um outro e mais profundo mundo. Este é o verdadeiro bailarino criativo, natural mas não imitativo, falando através de movimentos a partir de si mesmo e a partir de algo maior que todos os seres.

Sinto me tão confiante de que a alma pode ser despertada, possuindo completamente o corpo, que quando trouxe crianças para minha escola almejei acima de tudo fazê-las trazer para si mesmas a consciência deste poder dentro delas, da relação que mantêm com o ritmo universal, evocando o êxtase, a beleza desta realização. O meio para este despertar será em parte a revelação da beleza da natureza e em parte daquele tipo de música que o terceiro grupo de compositores nos dá, que surge da alma e fala para a alma.

Há adultos que esqueceram a linguagem da alma, mas as crianças a entendem. É apenas necessário dizer-lhes: "ouçam a música com suas almas. Agora, enquanto ouvem, vocês sentem um profundo despertar interior, vindo de dentro de vocês? - Que é pela sua força que suas cabeças se erguem, seus braços se levantam e que vocês caminham lentamente na direção da luz?"



Este despertar é o primeiro passo na dança, como eu a entendo.

Quando eu comecei a dançar com os movimentos e gestos que minha alma arrebatada sabia como comunicar ao meu corpo, os outros começaram a me imitar, não entendendo que lhes era necessário voltar a um começo, para achar primeiro algo dentro deles mesmos.

Em muitos teatros e escolas via-se este tipo de dançarino, que compreendiam apenas com o cérebro, que sobrecarregavam de gestos suas danças; seus movimentos pareciam vazios, insípidos e destituídos de significado. O que eles traduziam através da mente parecia totalmente de inspiração e de vida. O mesmo acontece com os sistemas de dança que são apenas ginásticas combinadas, compreendidas apenas logicamente (Daltroze, etc). Parece-me um crime impingir as crianças, que não podem se defender, este treinamento prejudicial; pois é um crime ensinar a criança conduzindo seu corpo em desenvolvimento através do poder rígido do cérebro e ao mesmo tempo enfraquecendo seu impulso e inspiração.

A única força que pode satisfatoriamente conduzir o corpo é a inspiração da alma.

(retirado do livro "Minha Vida" sobre o trabalho de Isadora Duncan)

domingo, 8 de agosto de 2010

Texto narrado por Lulu Sabongi em seu vídeo - A Arte da Dança do Ventre

Dando sequência aos materiais poéticos dentro da didática da Dança do Ventre, eis um texto e um poema   belíssimos!

Esse material  faz parte  do primeiro vídeo didático lançado pela professora e bailarina Lulu Sabongi, no início da década de 90, no Brasil. No vídeo, podemos ouvir estas palavras que resolvi digitar por acreditar que devem ser relembradas sempre, na voz da própria Lulu. Todas que estudam a Dança deveriam ter este material para ouvir, mostrar pras alunas, manter a conexão como o feminino arquetípico.



A Arte da Dança do Ventre

O ventre é o símbolo da matriz original, da mãe. Assim como a caverna, a imagem do ventre inspira proteção e calor materno. É no ventre que se assentam os órgãos das funções gástricas que produzem a digestão dos alimentos e, por esta localização, ele é comparado ao laboratório alquímico. Os alquimistas diziam que é preciso alimentar o filho filosófico do ventre de sua mãe. O calor do ventre facilita as transformações mas é preciso que tenha para cada um, e a cada momento de sua evolução, o grau e a intensidade adequados.

A presença do ventre na Dança pode ser notada através dos séculos na Arte, na Literatura e na Mitologia, nas esculturas e em pinturas de cavernas pré-históricas, o testemunho mútuo da existência da importância do ventre no Mundo Antigo.

Em diversos locais do Mundo e principalmente no Círculo Mediterrâneo são encontradas manifestações perpetuadas pela Arte que demonstram a importância do movimento da região ventral e da região pélvica nas danças que cultuavam a fertilidade.


...Um som agudo cinge e circula pela sala.
Com gestos impetuosos, ela sai de sua imobilidade
e repentinamente todo o seu corpo treme acompanhando a música.
Suas mãos estão levantadas tangindo os snujs e ela suavemente gira sob si mesma
fazendo de sua perna direita o pivô, convulsionando maravilhosamente
todos os músculos de seu corpo.
Após ela completar o círculo, ela pára e avança suavemente.
Todos os seus músculos tremem em compasso com a música em sólido e substancial espasmo.
Ela movia uma perna após a outra, como fazem as ciganas em suas danças,
tornando o movimento voluptuoso.
Parando inesperadamente, ela mantinha toda a sua musculatura em movimento.
Caindo sobre seus joelhos, ela contorcia o seu corpo, braços e cabeça girando
acima do chão, ainda com gestos que tangiam os snujs.
Da mesma maneira, isto era profundamente dramático,uma poesia lírica que
palavras não podem descrever: profundo, oriental, extenso e terrível.

(Descrição do jornalista americano Kurts, séc XIX, durante uma viagem de 15 milhas pelo Rio Nilo)

Durante muito tempo e principalmente nos últimos 150 anos, a conceituação da Dança do Ventre sofreu uma metamorfose. Ligada aos espetáculos de variedades, ela quase se desvinculou de seu caráter sagrado.
De origem múltipla, desde a orla do mediterrâneo até os pontos mais extremos do Oriente Médio, aos limites da Índia, a Dança do Ventre surgiu vinculada sempre aos atributos femininos de sedução, fertilidade e espiritualidade. Ela já estava presente nos antigos rituais egípcios e como toda dança ela tem o sentido maior da celebração.

A Dança do Ventre é realmente a celebração da vida.

Nós dançamos como que para afirmar a vida.
Por muito tempo, o binômioforça e vida foi celebrado assim, respeitando os ciclos naturais, especialmente a chegada da Primavera e o renascer das forças da Natureza. Desta forma venerada, em todas as suas manifestações, vegetal, animal, imagens cósmicas do sol e da lua, o binômio força e vida trnasformou-se em Mito, criados assim para explicar os fenômenos naturais.

Devido sua origem desconhecida, a Dança do Ventre que conhecemos hoje provém de um passado remoto e foi possivelmente transmitida por povos nômades que margeavam o Norte da África e os confins da Ásia, ciganos que levavam sua cultura atravésdassuas necessidades de manutenção.

Em cada região que paravam para comercializar suas produções, quer animal ou artesanal, sempre acabavam agregando à sua cultura algum elemento local e também la deixavam, bem denunciada, a sua passagem. É por isso que muitas danças, de diversas regiões do Oriente, com nomes específicos, são muito semelhantes à Dança do Ventre que conhecemos hoje. Na Grécia, ela é conhecida como chiftitelly,   no Egito raqs sharqī(رقص شرقي

O mundo ocidental também teve as suas "danças do ventre" mas infelizmente isso hoje é uma tradição perdida por culpa da religiosidade católica e sua excessiva observância sobre a lacívia do corpo em movimento.

Podemos concluir que , com a explosão da Dança do Ventre na atualidade, a mulher traz de volta a figura do feminino erótico que durante muito tempo ficou soterrado pela incapacidade masculina em lidar com o mundo integrado também pelo amor e não apenas pelo excesso de poder.

O quadril é a força motriz da Dança do Ventre. E é nessa região onde nascem os movimentos e para onde eles retornam.  (Lulu Sabongi)


E pra finalizar, um detalhe dotexto da contra capa do video...tudo perfeito, até nos detalhes:


Dança do Ventre – O Resgate do Feminino Arquetípico




Segundo Carl Gustav Jung, um dos nossos deveres primordiais é reconciliar o civilizado e o primitivo que existem em nós e redescobrir esta intensidade de viver, desaparecida, que ainda é encontrada nos rituais e nos festivais de Dança e de Música.

A tradição da Dança Árabe que aceita o corpo qualquer que seja sua forma e aceita a afirmação da sensualidade da mulher, qualquer que seja a sua idade, permite à mulher revalorizar a imagem que tem de si mesma.

“Nós dançamos como que para afirmar a vida. E como base de toda dança tem o sentido maior da celebração, a Dança do Ventre é realmente a celebração da vida.”

(texto extraído da contra capa do vídeo didático de Lulu Sabongi – A Arte da Dança do Ventre)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Raqs Khaliji



Raks Khaliji - Evolução histórica de uma dança folclórica
Por Luzimar Paiva Publicado 26/05/2009


História e origem



A Península Arábica foi habitada desde 5000 a.C. Entre 4000-2000 a.C., os estabelecimentos ao longo da costa oriental da península dominaram o comércio entre a Índia e a Mesopotâmia. Os povos desta área tiveram sempre estreitos laços com os povos do Noroeste da Índia e do Paquistão.



Em torno de 3000 a.C., o Sudoeste da Arábia transformou-se a principal rota de comércio entre a Índia e as civilizações mediterrâneas. O incenso e a mirra, o café, os temperos e o algodão foram adicionados à riqueza deste comércio. Os comerciantes chegavam ao porto de Aden, em seguida os bens eram transportados para o Norte em caravanas de camelos ao longo da costa ocidental. Alguns arqueólogos acreditam que a famosa rainha de Sabá era oriunda do Sul da Arábia e viajou para o Norte ao longo desta rota de comércio para encontrar com o rei Salomão.



O comércio diminuiu na segunda parte do século (três mil toneladas de incenso), quando os gregos e, depois, os romanos encontraram rotas de comércio alternativas. Os romanos adotaram os rituais de sepultamento mais simples dos cristãos sem incenso e sem mirra.



As cidades importantes ao longo desta rota do comércio de caravana incluíam Medina e Meca. O profeta Maomé nasceu em Meca e mudou-se para Medina em 622 d.C. em conseqüência da perseguição religiosa. Os seguidores de Maomé espalharam a religião islâmica para fora da Península Arábica e, Bagdá transformou-se na capital do Império Islâmico por sete séculos.



A Península Arábica tem uma longa história de migração, de regionalismo e de autonomia tribal, além da influência dos persas, dos egípcios e do Império Otomano. A família de Saud mudou-se para a região central seca da Península no século XV e aumentou seu controle nas áreas centrais e ocidentais, enquanto a influência do Império Otomano diminuía. Em 1932, o Reino da Arábia Saudita, que cobre aproximadamente oitenta por cento desta península, foi fundado.



Figurino e utilização de cores



Para discorrer sobre a dança e o figurino khaliji com uma terminologia étnica apropriada é necessário entender que: usar roupa fechada como meio de conservar a umidade e proteger o corpo do sol é tradicional na Península Arábica.



As roupas típicas tradicionais muito largas, longas e ricamente bordadas são usadas na execução de uma dança que freqüentemente nos referimos como "dança das mulheres sauditas" ou "dança do Golfo", geralmente colocadas por cima da roupa normal ou da típica roupa de dança do ventre.



Este vestido tradicional teve originalmente variações regionais, entretanto o uso difundido da máquina de costura nos últimos trinta anos e a modernização e a urbanização da Península Arábica resultaram no tobe (bata, caftan, toga, vestido, capa, galabia) ou thawb nashal, originalmente usado no Najd, ou Arábia Central, transformando-se depois no traje tradicional das mulheres ao longo da área do Golfo.



E como esse vestido largo é realmente chamado?



O tobe nashal é uma capa grande, semitransparente. Era usado sobre a roupa normal (dharaah ou kaftan, freqüentemente com cavas bordadas) e sobre a sirwaal (calças com as faixas bordadas no tornozelo de origem turca).



Os sauditas parecem referir-se ao vestido como o tobe. Os kuwaitianos chamam-no de darrah zerri (darRAH ZEDdi). Darrah é um termo geral para vestido e zerri é traduzida como lantejoula.



Os catarianos parecem ter diferentes nomes para esta vestimenta, podendo chamá-la de:



tobe el neshel

(tobe el NESHel), porém é difícil encontrar o real significado para a palavra Neshel. Pode-se traduzir neshel como bordado;
darrah zerri;

tobe tawoose (tobe taWOOS), que significa vestido de pavão.

O pavão é um dos temas mais comuns do bordado, executado freqüentemente pelos artesãos do Noroeste da Índia e do Paquistão, que produziram tecidos e bordados para os povos da Península Arábica por muitos séculos. Barein também produz bonitos tobes.
O tobe é feito de tecidos como o chiffon ou a seda pura, que denotava status social e riqueza.
A túnica é sempre bordada no peito, nas bordas das mangas, na barra, na parte de trás e em outros lugares. A decoração é farta, utilizando-se para as costuras linha metálica dourada e prateada em sentido vertical ou bordado de seda e paetês, além de, às vezes, aplicarem-se jóias ou pequenos guizos. A parte dianteira da abbay (bisht), roupa masculina, também é bordada com as mesmas linhas.

Alguns dos mais famosos vestidos femininos do Catar, el neshel, el tawoose e el darrah, possuem cores brilhantes e são decorados com ornamentos artísticos.

Uma característica incomun do tobe é o reforço das cavas com muito bordado, que é usualmente retirado de uma capa antiga já desgastada e aplicado sobre outra, mais nova.

O tobe é chamado freqüentemente de vestido de casamento, porque era o traje do Najd para a cerimônia de casamento. A noiva usa-o na cor branca, embora a cor preta com bordado dourado seja comum para as outras mulheres.


Hoje em dia, as mulheres árabes vestem o tobe sobre sua roupa de festa quando dançam (em uma festa ou numa celebração). As jovens também podem usar este traje tradicional para apresentações na escola.



Dança



A evolução da dança levanta muitas dúvidas para quem quer estudar a fundo. Se olharmos a dança como uma extensão da cultura de distintos povos, nós poderemos traçar suas origens. Num ambiente global, isto está-se tornando cada vez menos possível. Devemos tirar vantagem do conhecimento da tradição enquanto ainda podemos fazê-lo.



Em árabe, khaleege ou khaliji significa relativo ao Golfo. Pronuncia-se Raligi. Está relacionado ao estilo nativo de música dos países do Golfo Pérsico, hoje Península Arábica (Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes, Kuwait, Omã e Catar).



Na dança do ventre, as bailarinas utilizam-na para identificar o estilo de música e de dança desta região. Ficou conhecida como "a dança das mulheres sauditas". Nomenclatura equivocada, uma vez que há não relatos conclusivos a respeito da origem da dança.



A raqs khaliji é uma dança tradicional de confraternização, praticada somente pelas mulheres, que interagem entre si, para se divertirem, ainda hoje, em festas e em momentos de celebração, como casamentos. Porque a dança evoluiu nas sociedades mais modernas do Oriente Médio nouveau riche, em algumas regiões agora é aceitável apresentar-se em reuniões mistas.
A dança é executada em grupos ou em pares e é, em sua maior parte, improvisada e, portanto, é possível ver muitas mudanças na forma.
Segundo Campbell, as bailarinas repetem os passos várias vezes, improvisando dentro de uma estrutura de movimentos tradicionais, enquanto permitem que a bailarina mais inteligente e mais original inove.
Azar afirma que as jovens que se levantam e dançam estão cônscias da observação e possível consideração das mulheres que permanecem sentadas. Elas podem ser escolhidas para se casar com um filho, um irmão, um primo ou outro parente do sexo masculino.
É importante lembrar que esta dança não é executada em toda parte do Golfo.

Os omanis (pessoa natural de Omã), por exemplo, não executam esta dança, uma vez que não faz parte de sua herança cultural.
Os sauditas chamam-na de raqs al khaliji (/rraleegee/ pronunciado), que significa dança do golfo. As mulheres ficam separadas dos homens e são acompanhadas por músicos mulheres. As mais velhas não gostam que as jovens sejam tímidas e incentivam-nas a se levantar e a dançar.

Os catarianos (habitante do Catar) parecem estar de acordo com seus companheiros wahabitas, os sauditas, e usualmente chamam a dança de raqs khaliji.



No Kuwait é chamada de Samri (SAUMri), devido ao ritmo que a acompanha. Samri é um ritmo lento e, a execução tradicional da dança não é muito rápida. Hoje em dia, este ritmo aparece junto a outros ritmos mais vívidos e tem recebido acréscimos de movimentos e de sentimentos que variam de país para país. As mulheres às vezes realizam um desafio amigável, no qual deixam crescer o cabelo para enriquecer sua dança. Os homens e as mulheres ficam em lados opostos de um salão.



Nos Emirados Árabes, a dança das mulheres é chamada na'ashat, em alusão aos movimentos realizados com o cabelo ao som do ritmo. Em Abu Dhabi, capital dos Emirados, é conhecida como a raqs neshat (raks neSHAT).



Os nativos do Golfo realçam a falta de naturalidade das tentativas das bailarinas egípcias de executar a Samri. Os movimentos são demasiado grandes e os pés estão demasiado distantes, além das interpretações da dança deixarem a desejar.



MÚSICA E RITMO



Música



Um dos aspectos mais marcantes da música do Golfo é a maneira gutural de empostar a voz, diferente do canto operístico, no qual a voz é trabalhada no timbre, na tessitura, na afinação. Nas festas populares, o canto, muitas vezes coletivo, é acompanhado por instrumentos de percussão que podem ser substituídos ou ajudados por instrumentos de sopro.
Nas cidades, temos o violino, o alaúde e o kanun (ancestral da harpa), e, mais recentemente, o órgão eletrônico ou teclado, amplamente usado devido à diversidade de recursos oferecidos e à compensação de algumas deficiências musicais, como criatividade e domínio técnico.

Além das canções para as festividades, onde tomam parte danças elaboradas, outros gêneros são usados em corridas de cavalos, em nascimento de camelos, ou para simples diversão com jogos rápidos de palavras.
Várias mudanças vêm ocorrendo no Golfo desde o começo do século, e a principal razão é a comercialização do petróleo, que permitiu a esses países alcançar uma riqueza jamais experimentada em sua história. O povo hoje tem acesso a todo o tipo de modernidade e tecnologia, o que provoca alterações nos hábitos e costumes.
Nas gravações modernas vemos forte influência do estilo egípcio e da tecnologia de estúdio, disseminados largamente por todo Oriente Médio. É a música de consumo, que lança cantores pop em shows de TV e em clipes e que alcança grande vendagem de discos.
Atualmente a música khaliji é bastante ouvida acompanhando a música moderna, especialmente nos Emirados Árabes. Um cantor saudita que a exemplifica é Mohammed Abdou.
Os governos têm estimulado a criação de conservatórios nacionais para favorecer produção de música com identidade nacional. Os cantores desse gênero mais elaborado são convidados para turnês e festivais pelos países árabes, o que termina por influenciar os artistas locais.



Ritmo



Hoje em dia o khaliji é executado freqüentemente com música popular moderna.



Há, porém, um ritmo tradicional específico e muito distinto, o ritmo adani do Iêmen, que os músicos ocidentais chamaram de saudi ou saudita ou de khaliji, hipnótico com andamento 2/4 (pausa 1+2) com duas batidas pesadas e uma pausa, caracterizado pelo toque sincopado do tabel e pela música tradicional com o alaúde.



Hossam Ramzy, percussionista egípcio, certifica que não existe somente um ritmo chamado khaliji. Os ritmos da área do Golfo são centenas. Todos são chamados de khaliji. A maioria dos ritmos desta área sofreram ou sofrem fortes influências, principalmente das tribos do deserto, das rotas da seda, dos temperos e do comércio de escravos da África Central, que normalmente levava vários ritmos com ela. A velocidade do ritmo varia de tribo para tribo e também de acordo com a emoção própria da canção.



Coreografia e gestual envolvido



A bailarina usa um passo sincopado ou mancado.



Um pé no chão marca a batida pesada e o outro, em meia ponta, marca a meia batida. O passo dado pela meia ponta levanta a bailarina e dá ao passo a característica leve de subida/descida. A bailarina move-se no sentido do pé que está no chão, com o outro pé em meia ponta ligeiramente atrás ou cruzado à frente do pé que lidera.



Este mancado ou passo sincopado é similar aos usados em danças de vários países como o Marrocos e o Afeganistão, na dança núbia (Egito), e no balé russo. O que não surpreende, devido à história de dominação naquela região.



A pausa do ritmo permite também uma mudança na passada de um lado para o outro (EsqDirEsq DirEsqDir), neste caso o passo que eleva é enfatizado para promover a mudança do pé que está no chão.



É possível verificar em tribos que vivem originalmente ao longo da costa oriental da Península Arábica, vários movimentos corporais tradicionais. No Najd, ou área central isolada, que hoje é a Arábia Saudita, presumivelmente eles seriam diferentes.



A raks khaliji é caracterizada pelos seguintes movimentos:



de cabeça, utilizando-se um deslizar lateral com a parte da frente da roupa segurada longe do corpo e/ou escondendo parte do rosto ou realizando oitos ou ondulações;

de corpo, lentos, suaves, delicados e bem marcados;

de tronco, podendo balançá-lo ou ondulá-lo;

de mãos, realizando torções e vibrações, ou gestos, como colocá-las ao lado do nariz;

de braços, com determinadas posições e molduras;

de ombros, tais como o xime, enfatizado pelo bordado do traje;

de quadris, para cujo encontro o traje pode ser puxado para enfatizar seus movimentos, que de outra maneira não poderiam ser vistos sob o volume;

de pés, cujo trabalho é muito simples e rítmico;

de cabelo, cujo papel fundamental é na dança khaliji, por isso as mulheres têm muito orgulho de seu belo cabelo. Eles podem ser jogados de um lado para o outro, para a frente e para trás, ou quando ajoelham-se na parte mais dramática da música;

evoluções envolvendo o vestido khaliji, como moldura, às vezes prendendo-o em uma das mãos e deixando-o mover-se em torno do corpo, ou, condizente com a natureza larga da bata, cujas cavas são enormes, podem ser colocadas sobre a cabeça como um véu.

As mulheres de todas as idades deixam seu cabelo voltados para baixo ao executar a dança. As que tem os cabelos mais longos e mais bonitos lideram a dança principal. As senhoras idosas e casadas geralmente são reprimidas em sua vontade de dançar, contudo a mais tradicionalista e mais conservadora, num momento festivo, pode retirar seu véu (hijab ou véu islâmico) para marcar a batida com o cabelo solto, balançando para direita, e depois para a esquerda, até chegar ao ponto de poder executar oitos atrás da cabeça.



Supostamente esta dança está ligada à simulação de acontecimentos cotidianos no Golfo.



Há movimentos reputados à imitação do gestual dos cavalos que elevam suas cabeças, ou balançam suas crinas, por exemplo. Ou que originalmente era uma reprodução dos fatos que envolviam a pesca de pérola e a vida no mar. O vestido é balançado em movimentos ondulantes para imitar a ação das ondas.



As bailarinas tocam com a mão ao lado do nariz como um mergulhador o faz ao descer ao fundo das águas em busca das ostras. O cabelo é jogado numa mímica das algas que flutuam nas correntes do oceano.



Há incontáveis interpretações.



As viagens e a televisão dão às mulheres noções do que é realizado em termos de dança, tanto que nós podemos perceber que mulheres sauditas adicionaram um pequeno ondular com seus quadris, um movimento emprestado de uma dança iraquiana. Há um videoclipe, no qual uma mulher imita o gesto de Fifi Abdo, agitando seu abdômen com sua mão.



Há muitos acentos e movimentos bastante diferentes do tradicional Samri, dependendo de onde se vive e a que se foi exposto.



Atualmente nos shows profissionais realizados em casas de show longo da Península Árabica, a bailarina não utiliza mais a bata. Provavelmente devido à necessidade de mostrar os movimentos realizados pelo quadril, que estão mais vigorosos. Essa tendência têm sido chamada de khaliji moderno.



Referências



Abdulaziz, Leila and Azar, Aisha. Raqs Nejdi hadith: workshop notes. May 2002.



Abercrombie, T. Arabia's frankincense trail. National Geographic, v. 168, n.4, p. 474-513, Oct. 1985.



Azar, Aisha. Are we confused yet? a lesson in folkloric dance and costume terminology: In: http://raqsazar.com/areweconfusedyet.html. Acessado em 2-7-2007. Originalmente publicado na Jareeda, Mar. 1996 and revised Jan. 2000.



________. Observations on Samri. In: http://raqsazar.com/observationsonsamri.html. Acessado em 2-7-2007. Originalmente publicado na Zaghareet, Nov./Dec. 1999.



Campbell, Kay Hardy. Loosening their tresses: women's dances of the Arabian Gulf and Saudi Arabia. Habibi, v. 16, n. 3, Fall 1997.



________. Traditional dancing costume of Saudi Arabia. Sistrum, Feb. 1997.



http://bimoraes.sites.uol.com.br/pagina/danca_tipos.html Acessado em 19-6-2007



http://www.conexaodanca.art.br/estudoven.htm Acessado em 19-6-2007



http://www.dublin.50g.com/uae/land/dance. Não disponível: 2-7-2007



http://www.geocities.com/egyptology2000/ventre.html Acessado em 19-6-2007.



http://www.hossamramzy.com



http://www.uaeinteract.com/history/trad/trd12.asp Acessado em: 2-7-2007.



http://en.wikipedia.org/wiki/Khaliji Acessado em 19-6-2007



http://www.danza-arabe.net/historia.htm Acessado em 19-6-2007



http://www.danza-arabe.net/modalidades.doc Acessado em 19-6-2007



http://www.nadima.com.br/historia.htm Acessado em 19-6-2007



http://www.nadima.com.br/khalige.htm Acessado em 19-6-2007



http://www.suelishamsa.com/danca.htm Acessado em 19-6-2007



Metne, Flávio Ganem. Traços gerais do khalige. Oriente Express, 1998. In: BOMENTRE, Simone. História da dança: uma coletânea de textos, artigos, trechos de livros. www.bomentre.com.br/historia.htm. Acessado em 18-6-2007.



A música tradicioanal do Golfo Pérsico. Revista Khan el Khalili: a arte da dança do ventre, São Paulo, v. 1, n. 2, p. 18, 2000?



Qan-Tuppin. Dancing again in Afghanistan. Traduzido por DeAnna Putnam. In: http://www.gildedserpent.com/articles20/aphgandance.htm. Acessado em 2-7-2007.



Ross, Heather Colyer. Art of Arabian costum: a Saudi Arabian profile. New ed. Studio City, CA: Players Press, 1994.



Saudi Arabia: the kingdom and its power. National Geographic, v. 158, n. 3, p. 286-333, Sep. 1980.



Stewart, Kerry.Khaleegee: dance of the Gulf. Artigo atualizado em 22-12-2004. http://members.iinet.net.au/~damask/fig8/adani/khal.htm Acessado em 19-6-2007.



Women of Arabia. National Geographic, October 1987.


Fonte: http://www.webartigos.com/articles/18662/1/Raks-Khaliji---Evolucao-historica-de-uma-danca-folclorica/pagina1.html.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O corpo jubiloso, a carne selvagem - O poder das ancas


O texto que publico hoje traz uma reflexão sobre a força do feminino , o corpo e a dança.
Nos leva a pensar em como estamos nos colocando dentro dessa expressão corporal que chamamos Dança do Ventre.  Estamos sendo autênticas o suficiente?  Ou estamos nos punindo por não sermos algo idealizado dentro de uma ótica distante de quem realmente somos? Não seria mais fácil criarmos um ideal e nunca conseguirmos atingí-lo, nos permitindo permanecer numa zona de conforto onde há racionalidade e domínio da técnica além de uma confortável distância de si mesmas.  No entanto, isso nos faz dançar de forma comedida, tecnicista e a dança vai perdendo o sentido e o encanto e vai se perdendo cada vez mais.
Mas quando nos permitirmos avançar e rasgar as barreiras que nos afastam da essência, daí tudo muda e obtém um significado real.  Como disse Milton Nascimento,  "Nada a temer senão o correr da luta , nada a fazer senão esquecer o medo. Abrir o peito a força, numa procura, fugir às armadilhas da mata escura."




O poder das ancas



O que constitui um corpo saudável no mundo instintivo? No nível mais básico – o seio, o ventre, qualquer parte onde haja pele, qualquer parte onde haja neurônios para transmitir sensações - a questão não é a do formato, do tamanho, da cor, da idade; mas, sim, se existe sensação, se funciona como deveria, se temos reações, se temos todo um leque, todo um espectro de sentimentos. Ele tem medo, está paralisado pela dor ou pelo receio? Está anestesiado por traumas antigos? Ou será que ele tem sua própria música? Está ouvindo, como Baubo, através do ventre? Está olhando com uma das suas inúmeras formas de ver?

Passei por duas experiências decisivas quando estava com vinte e poucos anos, experiências que contrariavam tudo o que me haviam ensinado sobre corpo até então. Quando estava num seminário de uma semana de duração para mulheres, à noite, junto ao fogo e perto de fontes termais, vi uma mulher nua, cerca de 35 anos. Seus seios estavam murchos de amamentar; seu ventre, estriado de dar a luz. Eu era muito nova e me lembro de ter sentido pena das agressões sofridas pela sua pele fina e clara. Alguém estava tocando tambores e maracás, e ela começou a dançar, com o cabelo, os seios, a pele, os membros todos se movimentando em direções diferentes. Como era linda, como era cheia de vida. Sua graça era de partir o coração. Eu sempre havia ridicularizado a expressão “furacão nos quadris”. Naquela noite, porém, vi um exemplo. Vi o poder de suas ancas. Presenciei o que me haviam ensinado a ignorar: o poder do corpo de uma mulher quando é animado de dentro pra fora. Quase três décadas mais tarde, ainda posso vê-la dançando no escuro e ainda sinto o impacto da força do corpo.

O segundo despertar envolveu uma mulher muito mais velha. De acordo com os padrões vigentes, seus quadris eram excessivamente parecidos com peras, seus seios eram ínfimos em comparação, e suas coxas eram totalmente cobertas por finíssimas veias arroxeadas. Uma longa cicatriz de alguma cirurgia grave circundava seu corpo, indo desde a coluna vertebral até as costelas, como um corte para descascar maçãs. Sua cintura devia ter a largura de quatro palmos.

Era, portanto, um mistério o motivo pelo qual os homens zumbiam à sua volta como se ela fosse um favo de mel. Eles queriam morder suas coxas de pêra, lamber aquela cicatriz, segurar aquele peito, descansar o rosto nas teias de suas varizes. Seu sorriso era estonteante; seu caminhar, extremamente belo. E quando ela olhava, seus olhos realmente absorviam o que estavam vendo. Vi novamente o que haviam ensinado a ignorar, o poder no corpo. O poder cultural do corpo é a sua beleza mas o poder no corpo é raro, pois a maioria das mulheres o expulsou com torturas ou com sua vergonha da própria carne.

Tendo em vista o exposto, a mulher selvagem pode pesquisar a numinosidade do seu próprio corpo e compreendê-lo, não como um peso morto que estamos condenadas a carregar por toda a vida, não como uma besta de carga, mimada ou não, que nos carrega por aí a vida inteira, mas como uma série de portas, sonhos e poemas através dos quais podemos obter todo tipo de aprendizagem e conhecimento. Na psique selvagem, compreende-se o corpo como um ser por seus próprios méritos, que nos ama, que depende de nós, para quem, de vez em quando, somos a mãe e que, de vez em quando, representa a mãe para nós.



(extraído do livro Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés)


sábado, 19 de dezembro de 2009

O Poder Feminino- slides do curso sobre a dança e o feminino, ministrado por Yasmine Amar



O Poder Feminino


O corpo como veículo para restabelecer o equilíbrio,
o centro e a harmonia à experiência feminina.”



Este trabalho tem como principal objetivo trabalhar , através dos movimentos da Dança do Ventre, a delicadeza, a sensualidade, a feminilidade e o poder que toda mulher possui e, muitas vezes desconhece- o Poder feminino!

Segundo Shokry Mohamed (famoso bailarino e coreógrafo que nasceu no Cairo em 1951) a Dança do Ventre utiliza a força espiritual interior da bailarina.
Portanto, quem dança expressa toda a força de sua personalidade, deixando aflorar a sensualidade feminina.


Através de movimentos sinuosos, circulares, arredondados, formas geométricas infinitas que nos reportam ao feminino essencial e sua representação cósmica, a mulher consegue trazer essa força simbólica e arquetípica para seu corpo e sentí-la em sua alma. Quanto maior for a consciência com relação aos movimentos interiores, mais profunda será sua experiência.


O feminino é a lua,
é yin, o escuro,
o úmido, o suave,
o passivo, a terra,
a profundidade,
a interioridade,
o sentimental, o passado, o repouso, a noite, a imanência, a subjetividade,
a síntese, o coração, a orientação para as pessoas...




"Palácios e Desertos , venham !
Pois é tua esta Dança !
E este coração que não pode mais viver sem ti.
Tu és como a uva, que se renova líquida e flui. Vai mais longe e diz que sem ti não estou aqui..." Kalil Gibran



(Ruth Saint Dennis)


A dança pode ser um veículo que coloca novamente as pessoas em contato com sua criatividade, com os sonhos e esperanças. Acima de tudo, ela transmite uma linguagem simbólica rica, material vindo diretamente do inconsciente. Portanto, a dança possibilita externalizar nossos conteúdos internos. É o inconsciente que se torna consciente.




Existem vários padrões ou modelos de feminilidade...
Toni Wolff, discípula de Carl Jung, desenvolveu uma tipologia para a mulher.
A sua tipologia descreve quatro tipos femininos, quatro arquétipos femininos:

A Amazona,
a Hetéra ,
a Mãe e
a Mediadora.




AMAZONA

é a guerreira,
a mulher independente, livre,
é a mulher que "vai a luta",
Artemis, a mulher forte.
é a natureza, a xamanista, a caçadora, amante dos ermos, a senhora das feras e a aventureira.
A Amazona possui a característica da temperança, é a dominadora.






A HETÉRA
é a mulher sensual, sedutora, atraente.
A Hetéra é Afrodite, que carrega consigo a sexualidade,
a sensualidade, o romance,
a beleza e a paixão.
Para ela o corpo é sagrado,
sendo também ela a concubina, a patrocinadora das artes e a rainha dos salões.
A Hetéra é a mulher sensual e atraente.




A MÃE
é a mulher maternal,
a "mãezona", toda voltada para o lar e os filhos. A Mãe é Hera,
a mulher matriarcal e voltada para o lar, para a família e o casamento.
É a deusa protetora dos casais, e que tem ciúmes do marido.
A Mãe é a mulher maternal e super-mãe, de seus proprios filhos e dos filhos que o Mundo lhe empresta.



A MEDIADORA
A mulher Mediadora é racional, serena, pacífica, equilibrada, centrada.
A Mediadora é Atena, a civilização, se relaciona com educação, cidade, cultura, carreira, profissão, competição, intelectualidade e a racionalidade. A justiça é a característica básica da mulher Mediadora.
Atena é a deusa racional, nascida da cabeça de Zeus.
Também é a mulher sábia, centrada, racional e serena que possui calma, serenidade, sensatez, ordem, objetividade.
A Mediadora é a mulher "antiga", sábia e centrada.


Toda mulher possui esses arquétipos inseridos em sua psique, sendo que um deles (ou mais de um) pode estar evidenciado, ao mesmo tempo em que outro (ou outros) pode estar reprimido. Cada um desses modelos-padrão pode também se constelar à medida em que a mesma evolui ao longo da vida.
A mulher, portanto, deve procurar se conscientizar do arquétipo ou arquétipos que são vivenciados a nível exterior, e os que possam estar inconscientes ou mal resolvidos, afim de uma maior integração consigo mesma e com a própria vida.
A Dança imita a vida, ou seja, quando dançamos podemos externalizar, conscientes ou não , estes arquétipos. Por exemplo, numa entrada em cena de uma música clássica, o arquétipo que buscamos pode muito bem ser de uma Ártemis, precisa, guerreira, altiva. Já num momento lento da mesma música, podemos buscar sermos como Afrodite. O que estará refletido em nossa postura corporal. Ártemis pede a caebça altiva, postura extremamente elegante. Já Afrodite , nos pede um "desmontar", um movimento de cabeça mais sinuoso e relaxado, languido. Bailarinas que dança a música toda como Ártemis nos passam força, sim, mas deixam a desejar em sensualidade. O contrário também é perigoso, Afrodite em excesso pode tornar a dança picante, apimentada demais. O ideal é permitir que todos os arquétipos possam passear em sua dança de maneira sutil e delicada.
Trazer poesia e obras de Arte para sua Dança fará com que você consiga transmitir mais riqueza de intenções e sentimentos, compartilhando beleza e Arte com seu público, de forma a ser um diferencial em sua performance e em sua vida.


Trilhando o caminho das antigas deusas aqui estamos nós, imersas em véus e jóias, livres e felizes para prosseguir sempre rumo a este maravilhoso mundo de sonhos reais.



“... Ela caminhava com os pés descalços... Ela dançava agora para seu próprio deleite, num torvelinho em harmonia... Uma dança espiritual que nem o caráter comercial, nem a reprovação religiosa, nem mesmo a mudança dos novos tempos poderiam alcançar e, apagar a chama.” (Wendy Bonaventura – The Serpent Of The Nile)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DANÇAS FOLCLÓRICAS DO ORIENTE MÉDIO



Este material é uma compilação e eu a fiz para um amigo que vai começar a dar aulas de Danças Folclóricas Árabes numa escola aquie m Cuiabá. Além de falar sobre cada dança, no final eu trago uma sugestão de plano de aula de Dança Folclórica e também links de vídeos (selecionados pela sua qualidade técnica) sobre cada uma dessas danças.


É importante que as pessoas que ensinam tenham uma noção mínima das referências em folclore, em especial nomes como Reda e Caracalla. Saber de onde vem cada folclore e qual sua postura cênica.



PARTE I

Danças Folclóricas Árabes e sua prática nas escolas


As Danças Folclóricas Árabes são típicas de diversas regiões do mundo árabe. Geralmente se originaram de situações cotidianas antigas, ou seja, nasceram no seio das manifestações sociais e culturais desses povos.
O Dabke é a dança mais popular no Líbano, Jordânia, Palestina e Síria. o que a torna tão estimada por toda colônia árabe que é formada, em nossa cidade, de sírios e libaneses. A Dança Masculina com bastões, chamada Tahteeb é originária em Port Said, região sul do Egito, uma região muito pitoresca e rica em folclore. De Alexandria, a dança mais conhecida é a Dança dos Pescadores, que sofreu muita influência da colonização grega. Do Golfo Pérsico, temos o Khallige, uma dança pra ser praticada por mulheres e homens, porém, de maneira diferenciada. No entanto, devido a colônia árabe ser predominantemente formada por libaneses e sírios, as danças egípcias despertam pouco interesse. A Dança mais solicitada ainda é o Dabke, pois faz com que estes imigrantes e descendentes de imigrantes sintam muitas saudades de sua terra, seu amor pelo seu País, ao verem uma apresentação ou participarem com um grupo.


Quando falamos em danças folclóricas árabes, temos dois grandes referenciais mundiais que podem basear nossas pesquisas coreográficas:

1) Mahmoud Reda – folclore egipcio
2) Caracalla – folclore libanês


Aqui no Brasil há vários dançarinos que representam e estudam seriamente o folclore masculino, como Nasser Mohamed, Anthar Lacerda, Téo Versiani, Tárik, Márcio Mansur.


“O dabke é o oposto da da Dança Oriental feminina ,a virilidade do homem é sua característica mais marcante, então o dabke é realmente para o homem,e a Dança Oriental para a mulher. Os dois provocam uma satisfação interior,o homem se sente bem quando dança dabke, e a mulher se sente bem quando faz dança oriental.” (Abdel Halim Caracalla).



MAHMOUD REDA




“Nascido a 18 Março de 1930, no Cairo, Mahmoud Reda foi o pioneiro que levou a Dança oriental, no Egito, para os palcos. foi solista e actualmente considerado um dos melhores coreógrafos a nível internacional, havendo quem o aclame como o Fred Astaire da Dança Oriental. Diretor de centenas de Produções, ele andou em tournée por mais de 60 países, tendo apresentado performances nos principais e mais prestigiados teatros a nível mundial, nomeadamente, Carnegie Hall (NY, USA), Albert Hall (London, UK), Congress Hall (Berlin, Germany), Stanislavsky & Gorky Theaters (Moscow, USSR), Olympia (Paris, France) and the United Nations (NY & Geneva).


A Companhia de Mahmoud Reda é financiada pelo governo Egipcio na medida em que é encarada como representando o folclore egipcio tanto a nível da música como das danças. O grupo viaja por todo o Egipto investigando e analizado as danças folcloricas e depois organiza tournées mundiais para promover essas danças como uma forma de arte, digna de respeito.

Aula do mestre do folclore egípcio: http://www.youtube.com/watch?v=KWaLkox35Mw


CARACALLA


O Ballet Caracalla é uma companhia de dança Libanesa que mistura ballet,danças folclóricas
árabes de todos os estilos como dabke,a Dança Oriental (mais conhecida como Dança do Ventre)
É uma das maiores companhias de Dança de todo o Meio Oriente. O grande coreógrafo libanês Abdul-Halim Caracalla inovou ao misturar elementos de dança clássica e moderna à dança árabe tradicional. Seu trabalho é referência mundial e ficou muito conhecido através de suas apresentações no Festival Internacional de Baalbeck (FIB), um dos eventos culturais mais antigos e mais importantes do Oriente Médio. O FIB acontece anualmente durante Julho e Agosto nas ruínas romanas dos templos de Baalbek. Iniciado em 1955, o evento só tornou-se oficial no ano seguinte. Interrompido durante todo o período da guerra civil libanesa, o festival retomou suas atividades em 1997. Desde então, com mais de quarenta mil espectadores, o FIB vem atraindo artistas de renome internacional.

Na acrópole romana, dança e teatro são apresentados em um sítio arqueológico majestoso fazendo das noites estivais momentos mágicos e inesquecíveis. http://www.youtube.com/watch?v=A0hITgjr-YM&feature=related

DABKE



O dabke pode ser executado por homens, mulheres e crianças. Dabke quer dizer: bater no chão com o pé. Era o que acontecia na época dos fenícios, que para confeccionar telhados, os trabalhadores batiam com os pés na argila para amassá-la, acompanhados de tambores. Dessa forma, construíam os telhados de sua aldeia ao som forte dos tambores. Sua principal característica é a alegria e euforia que a torna uma dança muito contagiante. Por ser uma dança surgida em aldeia, traz consigo elementos de cooperação, união e integração, fundamentais para serem trabalhados com grupos de qualquer espécie. Há outra versão sobre a origem do Dabke , e foi recentemente apresentada no documentário brasileiro "Que teus olhos sejam atendidos" sobre o interior do Líbano: o dabke é a dança da vitória! Segundo um pastor da região, os exércitos árabes dançavam em suas vitórias, e a dança representa esse momento de celebração. Talvez as duas versões sejam complementares. A dança é realizada em fila, com os participantes de mãos dadas ou com elas apoiadas no quadril. Na ponta desta fila, há o líder que indica os passos a ser seguidos, podendo este também se soltar da fila e fazer passos mais destros, como saltos, giros, com muita energia. Os passos são coordenados, podendo apresentar variações, como chutes, saltos, e com uma "mexida" nos ombros, mas sempre presos à batida do acento do ritmo com a dos pés. No Líbano, a dança é tão popular, que até os idosos não deixam de dançá-la, é renomeada para Ajra em sua versão "terceira-idade". O dabke se diferencia de acordo com sua região de origem, muitas vezes encontramos a definição "dabke palestino", "dabke libanês".



Em algumas ocasiões o dabke é dançado com um bastão, assim como também no Khaleege masculino dos Emirados Árabes Unidos, o bastão tem apenas caráter simbólico sendo sua movimentação pouco expressiva.



TAHTEEB (Dança do Bastão)



FOTO: 1959 (Reda Troupe)


A Dança do Bastão originou-se no Egito podendo ser realizada por mulheres ou homens. As mulheres normalmente usam um traje denominado Galabeya e dançam com graciosidade, passos da Dança Oriental feminina, com a pulsação do rito executados de forma delicada. A performance masculina é chamada de TAHTEEB, que consisti em demonstrar a força e virilidade , utiliza-se como acessórios SHOUMA (bastão), feito ou com bambu ou cana-de-açúcar. Esta dança tem movimentos fortes, precisos utilizando bastante membros inferiores e superiores, em especial , pulsos.


Ra’as El Nasha’ar (Khaleege)


O Khaleegee é a dança do Golfo Pérsico, lá o ritmo tradicional é o soudi. Neste folclore, os homens também dançam, mas separados das mulheres (ou seja, eles não dialogam na dança, cada um tem a sua parte, e geralmente nem dançam sequer no mesmo espaço).

Este folclore tem origem numa dança beduína, os passos basicamente são a famosa "ginga" e um quê de malabarismo. Eles podem dançar dançam com o bastão ou com um rifle (uma versão dele sem gatilho), o primeiro serve como uma espécie de apoio, para balançarem para frente e para trás, também movimentando-o de forma semelhante ao Saidi (segurando com os braços para cima e o apoiando no ombro) e o segundo o giram sem parar, o jogando para cima e também usando como apoio. A roupa deste folclore é a roupa tradicional dos árabes do Golfo Pérsico. Isto é, muitos deles não usam essa roupa apenas para dançar, mas na sua vida cotidiana também.

El Sayad (Dança dos Pescadores - Egito)




Dança egípcia realizada tanto por homens como mulheres, na qual os homens representam os pescadores e as mulheres representam os "peixes" que estarão na rede. A rede, nesta dança pode aparecer como um objeto real ou imaginário, através de mímica.
O ritmo usado é o Fallahi. O traje é de marinheiro, coletes, calças e bonés típicos.
É muito comum homens dançarem numa teatralização do cotidiano, contracenando com mulheres dançando “Milaya LAff” (Dança do Lenço Enrolado). Milaya quer dizer "tecido" e laff é a palavra árabe para "enrolado". Mileya laff é, então, pano enrolado. Refere-se ao tal véu preto que a bailarina fica a enrolar e desenrolar em cena. Esse traje era muito usado no Egito recente, até meados do século XX. Não tendo dinheiro para comprar tecidos chiques, bordados e coloridos, as egípcias da periferia cobriam-se com esse véu. Iam ao mercado, passeavam, enfim, era seu traje de rua. é, na verdade, a teatralização de uma situação de rua.
Não há uma dança social no Egito com esse tecido. Ocorre que, nas cidades portuárias, particularmente Alexandria e Porto Said, as mulheres baladi, ao fazer suas compras, flertavam com os marinheiros, deixando escapulir o lenço e ajustando-o em torno dos quadris. Os marinheiros tocavam a semsemeya (tipo de música e também um instrumento musical, segundo Mahmoud el Masri), além de fazer som com colheres, chamando atenção das moças.

Essa encenação foi levada aos palcos por Mahmoud Reda, como pode ser visto no vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=SG3iMAfYDvg&feature=related

e ainda:

http://www.youtube.com/watch?v=8vjwkye0PpM



Benefícios da Prática das Danças Folclóricas na Escola


Na atualidade o que acontece é que os corpos dos alunos estão limitados ao espaço que lhes é determinado: a sala de aula. Esse corpo que se movimenta no espaço e no tempo está limitado, precisa dar conta de viver, ser e estar nesse espaço com limites. A idéia é que a dança venha dar conta de mudar essa idéia de corpo inserido num espaço, pois esse corpo deve ser considerado um corpo vivido, que pode ser “educado” a experenciar a capacidade de sonhar.

“Os jovens devem ter sonhos... ou nas palavras do Poeta Paulo Bomfim, um tema para viver!” (Gabriel Chalita)

A dança deve proporcionar situações que auxiliem no desenvolvimento de habilidades motoras, e ao mesmo tempo funcionar como agente direto para o auto-conhecimento. Percebe-se que a dança como arte expressiva do ser humano, passa por evoluções em suas forma e apropriação de cada sociedade e em cada momento, na educação ela também sofre mutações, mas é inegável sua
possibilidade de vivencia significativa corpórea.

GONÇALVES (1994) relata o fato de que corpos na Escola passam a maior parte do tempo sentados em carteiras, distribuídos em filas, pode-se observar claramente que, a Escola acaba de certa forma eliminando do corpo do aluno os movimentos involuntários, a criatividade, a espontaneidade, dando lugar ao pensamento dirigido e às ações voluntárias. Na maioria das vezes
acontece uma aprendizagem sem corpo, existem conteúdos dotados de assuntos que muitas vezes são diferentes daquilo que o aluno vive em seu dia a dia, e o corpo acaba não participando das aulas dentro da classe.
Portanto, a dança se torna essencial neste contexto, pois, possibilita vivências e transformações essenciais para o ser humano, expressa, sentimento, interação e criação são princípios básicos inseridas na dança. No caso específico da Dança Árabe, elementos como improvisação, musicalidade fazem justamente o oposto desse processo, libertando e expandindo a capacidade de síntese e reflexão.

Aspectos físicos :


Queima calorias , auxiliando no processo de emagrecimento;
Aumenta a resistência física, em especial, cardiorespiratória;
Fortalecimento de grupos musculares do membros inferiores;
Melhora o condicionamento das articulações
Confere correção postural e alinhamento postural
Promove o relaxamento muscular aliviando tensões
Desenvolve a coordenação motora e tempo de reação;
Trabalha o equilíbrio
Aumenta a flexibilidade
Desenvolve a agilidade mental
Desperta a noção de musicalidade e ritmo
Desenvolve a espacialidade
Estimula a atenção e a concentração
Aspectos terapêuticos
Auxilia no processo de desinibição e superação da timidez
Desperta a sensibilidade artística e criativa
Desenvolve a expressão
Promove o auto-conhecimento
Eleva a auto-estima
Excelente no combate à depressão por serem danças em grupo e lúdicas
Desenvolve a autoconfiança e a sensação de bem-estar com o próprio corpo
Contribui para o alívio do stress e das tensões cotidianas
Permite um intercâmbio cultural com o mundo árabe




REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:





1) http://www.dancadoventrebrasil.com/
2) Embaixada do Líbano no Brasil http://www.libano.org.br/olibano_arteecultura_mus.html
3) Caracalla http://www.caracalladance.com/
4) http://www.nasserefadwa.com.br/
5) www.efdeportes.com/.../a-danca-na-escola-educacao-do-corpo-expressivo.htm

6)http://www.faridafahmy.com/







VÍDEOS DE DANÇAS FOLCLÓRICAS NO You Tube



1) BANAT ESKANDERIA (DANÇA DOS PESCADORES -ALEXANDRIA)
BRASIL: (TÁRIK E MÁRCIO MANSUR)
http://www.youtube.com/watch?v=aHeNHw4AC0M&feature=related
EGITO: Mahmoud Rheda Troupe http://www.youtube.com/watch?v=SG3iMAfYDvg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=k1fV2rpQ-Eg&feature=related
2) DABKE
Cia Cedros do Líbano http://www.youtube.com/watch?v=U5c57Be-1-s&feature=related
Maira Magno http://www.youtube.com/watch?v=82MKut09Vms e
http://www.youtube.com/watch?v=Y_Vc2W7lJ4I
Anthar Lacerda http://www.youtube.com/watch?v=Nmy212Lq5yY&feature=related
3) KHALEEGEE
Com rifles: http://www.youtube.com/watch?v=m_1L1lLPcos&feature=related
4) TAHTEEB
Anthar Lacerda http://www.youtube.com/watch?v=88eUKguExR4
5) MAHMOUD REDA (AULA) http://www.youtube.com/watch?v=KWaLkox35Mw










PARTE II





PLANEJAMENTO DE ATIVIDADES PARA IMPLANTAÇÃO DAS DANÇAS ÁRABES MASCULINAS NA ESCOLA

CONTEÚDOS SUGERIDOS: Ensinar uma dança por bimestre
Dabke de roda - libanês e palestino
Dança com Bastões (TAHTEEB) - egípcio
Khaleegee – saudita
Dança dos Pescadores – egípcia
ESTRUTURA DAS AULAS:
AQUECIMENTO – 5 min – Através de exercicios de amplitude articular, preparando o corpo para realização dos movimentos da parte específica
PARTE ESPECÍFICA – MOVIMENTOS E RITMOS – 15 min
Destina-se ao aprendizado, da técnica, postura, ritmo e execução dos principais movimentos da dança a ser estudada naquele bimestre
PARTE COREOGRAFADA – 15 min
Trata-se do aprendizado de sequência coreográfica, que pode ainda ser bom instrumento de avaliação
ALONGAMENTO – 10 min
Com objetivo de compensar a musculatura exigida, em especial e com ênfase, ísquiotibiais, bastante slicitado , especialmente no dabke
VOLTA À CALMA (RELAXAMENTO) – 5 min
Pode ser feita atividade lúdica, ou exercícios respiratórios, que preparem o aluno a voltar a suas atividades e o corpo restabelecer sua homeostase.